Entenda, teu amor não é universal

Calma, vou explicar. Essa não é uma tentativa de mensurar o amor, nem qualquer outra maneira pretensiosa de discriminá-lo. Existe, portanto, algo de muito errado acontecendo. Você já deve ter notado isso. Hoje em dia falar de amor está em alta, assim como suas decepções, frustrações, desilusões. As relações estão quebrando, os envolvimentos, frágeis. E da mesma forma, surge uma quantidade quase sem fim de relações que começam todos os dias (e mal se envolvem, já terminam). Algo não está sendo percebido e é tendo em vista essa questão que fiz esse texto.

Muito se diz (e se reclama), sobre essa tal da reciprocidade. “Não se demore no que não for recíproco”, “ele não me amou do jeito que eu o amava”, “estávamos em páginas diferentes”, “eu amava mais que ele/a”… Vocês devem ter ouvido isso, ou mesmo vivido isso em algum momento. Mas é exatamente aí que mora o problema e esse é um assunto a ser tratado com cuidado e delicadeza. Teu amor é sim infinito, imensurável, porém, não é universal. Mas o que isso quer dizer?

Que existe ai um mal entendido. O amor se manifesta de forma diferenciada e queria que entendessem comigo esse tabu. Não é possível idealizar teu amor e projetar ele sobre os outros, é, no mínimo, como plantar um belo problema. Pessoas generalizam o que é carinho, o que é afeto e subitamente, ditam o que é e o que não é amor. TEU AMOR NÃO É UNIVERSAL. Não pode ser generalizado. Isso precisa ser entendido profundamente e urgentemente.

Cada potencial é diferente no amor. Alguns se manifestam na intensidade, outros, só amam com toda sua força, na calma. Existem outros que amam e dedicam-se totalmente ao amado/a. Outros sublimam e transcendem aos apegos e aos sentimentos, e o amor se torna como um barco vazio. Leve. Existem amores pesados, como tempestades, outros, arredios, insaciáveis. Tem amores castos e amores libertinos. Mas nenhum deles, existe sem a compreensão. E é exatamente essa, a raiz de tantas dores. A necessidade da igualdade.

Essa correspondência, essa reciprocidade, nunca será manifestada da mesma forma. Essa é uma equação que nunca irá se equilibrar. É uma resposta que não vem de fora. Mas acabamos frustrados nas primeiras diferenças que apresentam. Nas primeiras variáveis, “Essa pessoa não era o que eu pensava, com o tempo ela se revelou outra coisa” Nossa idealização é tão grande, que esperamos do amor uma face, uma identidade que se assemelhe com nossas expectativas. E aquilo que nós gostamos e queremos, nossos desejos e vontades, pode ser que não nos faça bem.

Não dá pra universalizar nenhuma ideia de amor. Ele é único em todas as formas. Nem é direito de ninguém dizer que o outro não ama. É por isso que tal assunto precisa ser entendido profundamente. A reciprocidade é o mito daqueles que esperam uma resposta do amor. Tudo se torna frágil, quando dependemos que o outro satisfaça nossas carências, fraquezas e dependências. O amor se tornou tão necessário, assim como passou a ser distorcido pelos desejos. O outro não pode preencher nosso vazio interior, isso seria um erro, esse espaço cabe ao nosso amadurecimento. Se há amor, existirá também tamanha confiança, que seu acolhimento sim, o torna universal. Mas o que vejo é uma demanda, uma imposição, uma condição. A banalização de ver no amor, o que convém.

Todo amor fora de ti, é desconhecido, não poderá nunca ser entendido, mas aceito. Sua verdade só pode ser aplicada a você, por isso, não universalize, nem espere que alguém corresponda algo que só teu coração é capaz de fazer e alcançar. Tua compreensão é a chave para o coração. Ao teu amor, o único capaz correspondê-lo, é você. E ele só se tornará inteiro, quando isso, for compreendido profundamente.

 

Lucas Augustus, ou mais conhecido pelo pseudônimo de Thomas Magan. Tem 27 anos, morando no interior de Minas Gerais e é criador da página “Meu coração tempestade”.

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