Liberdade à modo de Clarice

Ainda são presentes na sociedade brasileira contemporânea resquícios patriarcais e machistas, nos quais impõem comportamentos inferiores, submissos e estereótipos das mulheres perante ao sexo masculino. Esta ditadura comportamental adquirida ao longo dos anos causa graves consequências para o público feminino. Questiona-se então, como acabar com preconceitos, desmistificando o papel da mulher na sociedade e atingindo a tão sonhada liberdade descrita por Clarice Lispector.

Com o passar dos anos, os direitos adquiridos pelo público feminino foram incontáveis, como a conquista de cargos presidencialistas por exemplo. Entretanto, ainda há objetificação da mulher nos comerciais de cerveja, remuneração salarial inferior para o mesmo cargo de trabalho, altas taxas de feminicídio, violência doméstica, opressão comportamental, cultura do estupro que culpabiliza o gênero feminino pela violência cometida, nações orientais desumanas, dentre outros que fazem com que movimentos sociais existentes que lutam para mudar essa realidade sejam cada vez mais importantes e presentes.

Frida Kahlo, atual símbolo feminista, era uma mulher a frente do seu tempo por não se prender aos padrões sociais impostos da sua época. Sua história encoraja feministas que lutam por igualdade e equidade, alguns confundem com o conceito de machismo, argumentando superioridade no movimento, mas não se engane, o feminismo só quer o fim da cultura ateniense. Então, por quê existe tanta resistência perante ao movimento? O incômodo social causado pelo feminismo é visível, e não seria diferente, desde os primórdios as mulheres somente eram vistas como um símbolo fértil, pertencentes a uma classe excluída das sociedades eram incapazes de se manifestarem civilmente. Este fator explica a “aversão feminista” e não seria diferente, o medo existente de que as mulheres finalmente possam ter “voz social” assombra conservadores misoneístas.

Nessa perspectiva, o papel da mulher na sociedade não se limita a costumes pré-ordenados, a menos que ela queira e faça essa escolha. É necessário que haja igualdade de gênero de fato, assim como é prevista em lei, por isso, movimentos ativistas sociais passificos são essenciais para que essa realidade seja alcançada. Afinal, a liberdade deve ser priorizada, pois não há nada mais belo do que ter o poder da escolha, assim como Clarice Lispector descreveu em uma de suas obras: “liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”. Este sentimento representa o desejo das mulheres contemporâneas, descendentes de bruxas que foram queimadas vivas por não se submeterem a sociedade medieval, assim como a francesa Joana Dar’c.

Maria Luiza Figueiredo

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