Querida Rejeição, Obrigado.

Eu não estava pronto e, por isso, doeu tanto. Não conseguia lidar direito contigo, rejeição, tanto que mal consegui te olhar nos olhos. Acho que fugir de ti te tornou mais forte. Talvez porque eu estava preocupado demais em me defender e talvez por causa da minha autoestima, eu fiquei cego demais, tive medo. Mas sabe, eram tantas expectativas, eu queria que tivesse sido eu, que você não tivesse me deixado… Sabe? Ter sido o bastante, pelo menos uma vez. Mas o que descobri é ainda mais valioso e isso exigiu muito de mim, por isso, só agora consigo te mandar essa carta.

Primeiro eu demorei a entender que não se tratava só de ti, Rejeição, mas da minha frustração. Quanto menos a gente é, ou seja, quanto mais imaturos somos, mais queremos TER em vez de SER. E isso já sabota e muito as coisas, porque entrar em uma relação sendo carente e depender de alguém, é como nascem as relações abusivas. Por isso as relações mais jovens são tão intensas, nelas investimos o que tanto nos falta, o que tanto buscamos fora da gente, e por isso passei tanto tempo procurando o que ninguém poderia me fazer compreender. Mas, sabe, Rejeição, a frustração me deu uma grande lição, porque ser frustrado me forçava a amadurecer. Ela me fez ver que a aceitação cresce aos poucos quando aprendemos que o amor é maior que o desejo e, por isso, eu poderia esperar.

Segundo, como eu poderia ser aceito se me faltava honestidade? No fundo todos nós sabemos que deixamos de nos escolher em função dos outros. A gente tá sempre cedendo, o outro é sempre mais importante. E aí a gente vai se tornando insignificante, e como uma pessoa que não se reconhece de alguma forma teria qualquer capacidade de se dar qualquer respeito, não é, Rejeição? Eu não estava querendo olhar pra fora, eu só conseguia ser obsessivo com os meus defeitos. A culpa não foi sua, por isso demorei a entender que a culpa, era toda minha. Ninguém nunca vai ser o bastante, era isso, foi quando entendi que não são os outros que devem ser o bastante. Que o erro era acreditar e pensar que comigo, seria diferente.

Terceiro e último. Quanto mais a vida mais me rejeitava, mais eu precisava me aceitar. Mas nem sempre a gente tem condições pra deixar ser. Mas até nisso você foi gentil, deixando me perder em tantos e tantas, sendo paciente comigo. Eu vivi me comparando, invejando, estava me queixando constantemente. Eu não queria lidar contigo, Rejeição. Mas aí me dei conta, era pra doer. Porque é depois do estrago que as coisas começam a fazer sentido, quando as coisas vão para o seu devido lugar. E era depois de ti, que eu comecei a me enxergar. Hoje eu sei que não me encaixo em tudo, (na verdade em quase nada e nem acho que qualquer um de nós foi feito pra esse mundo) mas sei que mesmo assim está tudo bem. Porque quanto mais te deixo entrar, mais receptivo eu sou a tudo.

Agora, finalmente sei que você pode entrar, Rejeição, a casa é sua. Porque tudo nessa vida passa por um momento egoísta e quanto mais nossos desejos são fortes, maior será tu, Rejeição e maior ainda será teu impacto sobre mim. Hoje posso te compreender e sei que não é crueldade, é compaixão. Sei que se não deixasse suas marcas, a lição não me levaria a pessoa que me tornei. Porque quando não era mais necessário ser aceito que foi possível permitir o mundo como ele é. Quem rejeita são nossas razões, valores, idealizações, mas lá no fundo, é o coração que sabe a verdade. Aceitar é saber que somos maiores que isso, que vai passar. Sei que ainda dói, que ainda é difícil, mas agora eu sei. Eu sei. Nunca mais vou me abandonar, nem me negar, eu estarei aqui, te abraçando e sempre te esperando. Desculpa pela bagunça.

Por isso e por tudo que fez por mim, querida Rejeição, obrigado.

 

Lucas Augustus, ou mais conhecido pelo pseudônimo de Thomas Magan. Tem 27 anos, morando no interior de Minas Gerais e é criador da página “Meu coração tempestade”.

Comments

comments

Talvez você goste de...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *