Ela é encantadora, mas não é você

Inteligente, ela conversa sobre qualquer coisa. De funk carioca à ponte de Einstein-Rosen. Ela não só gosta de astronomia, quanto entende bem do assunto. Fã de arte, ela pediu que eu a levasse pra conhecer a coleção de Frans Post. Ela pegou meu número, disse que queria me ver outra vez e que marcaria pra tomarmos um café.

Ela não é fã de Los Hermanos, mas chora ouvindo John Mayer e Bon Iver. Deixei a timidez de lado e a apresentei a alguns dos meus textos. No final, pensativa, ela perguntou pra quem eu escrevo e de onde tiro tanta paixão. Nem um pouco convincente, respondi que todos os textos são sobre mim.

Talvez iremos ao cinema amanhã para aproveitar o final de semana, ou talvez ela me chame pra ver um filme em casa mesmo. Pode ser que tomemos sorvete juntos, ou discutamos sobre política comendo batata frita com guaraná antártica. É provável que conversemos até tarde e ela durma aqui em casa, ou eu durma na dela.

Além de linda, ela é um conjunto de adjetivos pros quais ainda nem fui apresentado. Só tem um problema: ela não é você. É encantadora, mas não vai cantar pra mim, mesmo desafinada. Ela não vai me levar do riso ao choro e do choro ao riso em poucos segundos.

Ela não vai mandar mensagens dizendo que me ama as 3 da manhã, nem vai salvar imagens com declarações pra me mandar durante o dia. Ela não vai me marcar numa música do Nando Reis, nem vai ficar rindo da minha voz ridícula imitando alguém. Ela é só mais alguém, nadando na imensidão de um coração cujos mares carregam as letras do teu nome.

 

Estudante de Engenharia da Computação e escritor nas horas vagas. Apaixonado por sorrisos, astronomia, empreendedorismo e inovação. Adoro filmes, séries e outras milhares de coisas.

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