O respeito sempre chega atrasado

Não adianta esperar respeito de onde não há maturidade. E não há quem fuja dessa regra, todas as nossas primeiras relações (principalmente se vividas na juventude) foram, de forma ou de outra, abusivas. Isso porque quanto mais jovens fomos, ou somos, maior a tendência do nosso comportamento ser egocêntrico. É uma fase que nossos desejos são mais fortes que nosso bom senso ou consciência das coisas, mas isso é natural por ser um período de edificação e construção pessoal. Num momento onde ainda somos carentes de tudo é difícil ter qualquer cuidado, daí entramos em envolvimentos ainda pela metade, com um mundo de coisas mal resolvidas em nós mesmos, mas não é algo que dê pra evitar. Começamos a nos envolver com maior esperança no amor do que em nós mesmos. Portanto, tudo que nos falta, acaba virando desejo. Por isso no começo, tudo costuma ser tão intenso, destrutivo e parece tão errado. É esse o motivo das relações camuflarem tanto nossos desequilíbrios. Quando carregamos a pretensão inconsciente de achar que podemos ser tudo que o outro “precisa”, mas, na verdade, mesmo que possamos satisfazer alguém, isso sempre será momentâneo, porque será SEMPRE, um empréstimo. Uma hora teremos que pagar a conta.

Todo apego, por menor que seja, é depender de uma forma da outra pessoa, que nos faz se sujeitar na esperança de que o outro considere nossas insuficiências. Uma angústia pelo acolhimento e aceitação. Ou seja, o apego sempre é movido pela expectativa, nós sempre nos agarramos no que achamos que vai nos completar. Mas porque falar disso? O que isso tem a ver com respeito? É simples. O primeiro passo pra se encontrar respeito, é reconhecer que não somos completos de nenhuma forma. Que muitas coisas nossas não podem ser levadas pra dentro de uma relação, são coisas que precisam ser encaradas e que tão somente cabem a nós mesmos. O problema do respeito é a má compreensão da nossa liberdade. Uma má interpretação da intimidade. De achar que a relação vai estruturar algo que ainda não desenvolvemos em nós primeiro. Separemos as coisas.

Portanto, o respeito nasce quando nos responsabilizamos pela nossa própria “felicidade”. Porque enquanto o outro for maior ou importante o suficiente pra ser uma prioridade, ou necessário para nos sentirmos satisfeitos, não haverá espaço suficiente para que o respeito aconteça. O outro, inconscientemente se tornará um estepe, um remendo, uma tipoia provisória até que as coisas se tornem favoráveis. Entendem? Onde está o respeito em uma dependência? Onde está a consideração, a empatia? E justificamos tudo isso com reciprocidade, com ideias e especulações sobre amor. Entenda, o amor não existe para suprir suas carências. Pelo contrário, estará ali pra te fazer amadurecer, te jogará no chão de várias formas pra te ver crescendo. Todo envolvimento real irá te tirar da zona de conforto. Te fará ir além dos desejos, comodismos, egoísmos. Crescer é doloroso e vai te deixar fragilizada(o), vulnerável, te fará querer ser cuidada(o). Por isso precisamos de certo tempo e espaço pra lidar com tudo, pra termos condições. É quando nossas raízes se aprofundam.

É uma pena, o respeito sempre chega atrasado. Quando nos damos conta, já percebemos o estrago que fizemos em nossas vidas e de muitas outras pessoas. Nossa pressa e ansiedade que atropelou toda nossa capacidade de considerar as nossas limitações e as dos outros. E só tardiamente, temos estômago para admitir que o respeito vem só depois uma série cobranças, culpabilizações, vitimismos, dramas, chantagens emocionais, mágoas, ressentimentos. Porque confundimos o outro com nós mesmos. Tudo por não nos separarmos dos outros. Se você respeita, a primeira coisa a ser compreendida é o ir e vir. Pra que haja consistência no teu ser, na tua própria vida, que é sua e só sua e depois, o outro. Só na distância enxergamos certas coisas com clareza, que damos espaço tanto para o outro florescer, como a nós mesmos. Só através dessa abertura que uma relação genuína pode surgir. O respeito será a primavera do ser. A última estação.

E mesmo que o respeito possa sim chegar atrasado, ainda assim, tudo sempre acontece na hora certa. E o que costuma demora a chegar, sempre acaba ficando. É por isso que é preciso paciência pra se colher o que se planta com a alma. O tempo do coração sempre será a estação onde cultivamos o que realmente nos pertence. Portanto, calma, pois é marinheiro manso que atravessa mares turbulentos. O amor sempre estará logo após a tempestade.

 

Lucas Augustus, ou mais conhecido pelo pseudônimo de Thomas Magan. Tem 27 anos, morando no interior de Minas Gerais e é criador da página “Meu coração tempestade”.

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