Não espere nada de mim

Eu vou falhar, inevitavelmente.

Não será de propósito, eu juro. Eu gostaria de acertar sempre, mas não consigo. E pra te ser bem sincero, já abri mão da perfeição. Pode ser que eu demore para me entregar completamente, pois tenho medos secretos, assumo. Talvez eu precise de tempo. Não costumo mergulhar de cabeça em amores repentinos, pois eles tem cheiro de ilusão.

Haverá noites em que vou preferir a solidão. Afinal de contas, todo mundo precisa de um certo momento a sós consigo mesmo. Haverá dias em que vou precisar de você ao meu lado para não me sentir tão perdido no mundo… E talvez você não possa me socorrer.

Você vai ver que tenho uma porção de inseguranças bobas. Vai notar que também tenho minhas indecisões, minhas neuroses e traumas do passado. Eu também já fui deixado. Eu também já tive que lidar com o rombo que uma perda é capaz de abrir no peito.

Nem sempre conseguirei enxugar a sua lágrima, pois talvez eu não consiga enxergá-la, nem compreendê-la. Também tenho comigo lágrimas invisíveis… Tristezas que você jamais enxergará.

Vou dizer muitas palavras erradas. Pode ser que eu te magoe sem nem perceber. Mas você pode acabar me magoando sem querer também, sem se dar conta de que está cutucando feridas que luto muito para esconder do mundo, das pessoas e até de mim mesmo.

Então não espere nada de mim. Surpreenda-se, eu garanto que é bem melhor. Criar expectativas demais em cima de alguém é colocá-lo num pedestal impossível de se alcançar. É criar a obrigação de acertar… E vamos ser francos: Isso não existe.
Ninguém acerta o tempo todo.

É… O amor tem dessas coisas: Apaixonar-se por alguém é inventar que ele é perfeito. É achar que ele vai suprir todas as suas carências, que vai te entender sempre e vai te fazer sorrir a vida inteira! E isso pesa muito, pesa demais.

Pedir à você que não crie expectativas em cima de mim, não significa que eu não te ame ou que não esteja envolvido. Muito pelo contrário, talvez eu te ame até demais. Talvez eu queira tanto te fazer feliz, que morra de medo de te ver sofrer ao descobrir os muitos defeitos que tenho comigo. Muitos deles já me afastaram de pessoas vazias que não me amavam de verdade, entende?!

E se a gente simplesmente deixasse as coisas acontecerem sem fazer muitos planos e nem criar muitos sonhos?! E se a gente tentasse desvendar, pouco a pouco, esse universo inteiro de sentimentos, emoções, medos e planos que existe dentro de nós?! E se a gente se unisse para construir, sem pressa, um amor de verdade, sem ilusões bobas, perfeições utópicas e romantismos exagerados?!

Talvez eu prefira um amor de verdade. Um amor apaixonado por alguém cheio de imperfeições, disposto a aprender com o tempo, com a troca de confidências, com os desabafos e até mesmo com os problemas. Um amor que me torne mais humano, mais livre para errar, perdoar e lutar para ser melhor a cada dia.

Não vamos esperar nada, ok?! Vamos viver… Acho que isso é bem mais interessante.

 

 

 

Pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e escritor se fundem no que ele escreve. Conheça o blog: www.hugoribas.com.br

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