Gosto de gente que vem sem intenção de ficar

Gosto das coisas que vem sem intenção de ficar. De gente que vem sem intenção de ficar. Rola uma despreocupação danada, sabe como? Flui mais naturalmente, sei lá. A pessoa chega sem querer impressionar. Vai se mostrando devagarinho, vai se despindo de mansinho e se despede, com carinho, a cada fim. Dá um beijo na testa como quem diz ‘esse sou eu, desculpa’. Mas não tem porque desculpar, porque só transborda doçura, sabe como?

 

Gosto dessa gente que pede licença e se senta do lado. Divide o fone de ouvido e diz ‘essa é minha música favorita, toma para você’. Aí você põe a música em todas as playlists e sorri sempre que ela aparece, porque lembra de uma pessoa que veio sem intenção de ficar, mas te deu uma música de presente. Quem é, hoje em dia, que dá música de presente?

 

Gosto demais dessa falta de pretensão da vida. Gente que vive de imediatismo, gente sincera por ser, só. Chega e te mostra seu lado – nem melhor, nem pior, apenas o verdadeiro. Conta as melhores histórias e divide algumas cicatrizes. Rouba um carinho, um beijo – às vezes – e um sorriso. E saí, sem pretensão alguma. Sem pretensão de ficar, sem pretensão de partir.

 

Gosto demais dessa gente que chega. Dessa gente que dá música de presente, que divide histórias e piadas bobas. Gosto dessa gente que vem sem intenção nenhuma de ficar, mas que é tão intensa, verdadeira e cheia de detalhes que, mesmo sem querer, fica.

 

Engenheira, blogueira, escritora e romântica incorrigível. É geminiana, exagerada e curiosa. Sonha em abraçar o mundo e se espalhar por aí. Vive com a cabeça nas nuvens. É, definitivamente uma colecionadora de amores platônicos e saudades. Nasceu e cresceu no litoral catarinense, não nega a paixão pela praia, pelo sol (e pelo frio) e frutos do mar.

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