Um grande amigo. Um ótimo amor.

Quando eu te vi pela primeira vez você estava sem camisa e sentado numa cadeira como quem não se importa muito com os olhares. E, diante de um peitoral e bíceps definidos por meses de musculação, tentei parecer não me importar muito – do mesmo modo que você não se importou por eu estar tão gripado que mal conseguia respirar pelo nariz.

Quando olhei para os seus olhos, confesso que nada passou pela minha cabeça exceto que eu deveria escrever sobre eles algum dia, ainda que eu não tivesse coragem de mostrar tudo o que tenho guardado na gaveta dedicado a você, e aqui estou eu. Mas não sabia que um dia você mereceria, de fato, que eu escrevesse algo para você, pois até então éramos apenas corpos e o meu sobrenome.

E aqui estou eu com uma dificuldade enorme de escrever e pensando em desistir a cada frase que parece não ter fim porque quando eu vi seu sorriso não sabia que me bagunçaria tanto.

Você é incrivelmente diferente de mim, ainda que em algum ponto nós nos vejamos parecidos. Eu choro com pedidos de casamento e quadros de reencontro do Caldeirão do Hulk, e você deixa claro que acha estranho tudo isso. Você parece ser menos sentimental do que eu, ainda que uma hora ou outra acabe desabafando que já chorou com Titanic e até hoje chora se tocar a música tema.

Eu gosto de comédia romântica e você só de comédia, mas nos encontramos nas animações e nos filmes de fantasia. Eu gosto de Ariana Grande e você só conhece uma música dela – e nem sabia o nome dela até pesquisar no Google.

Não gosto de espanhol e você faz curso. Você não gosta de sarapatel e eu gosto – só não posso comer por causa da minha maldita alergia. Nunca sei quando você quer uma coisa e sempre espero por você e você acaba esperando por mim, esperando que eu tome as decisões.

Eu tento ao máximo não parecer tão evasivo e grudento, mas é que falar com você é uma rotina tão boa que não me cansa – você deve concordar comigo quanto a isso. Desculpa.

Outra coisa que admiro em você é a sua coragem. Sou cheio de problemas, paranoias e frustrações, mas o que mais me assusta é que nada disso parece te assustar. Nada do que eu te conte parece te amedrontar, por mais que me prepare para sua reação e por mais devastador que eu calcule que será.

Você não tem medo de mim, rapaz? Nem mesmo quando eu estou o “cão”? Você me faz sentir como um quebra-cabeça fácil de resolver. Quando você disse que não iria embora, fiquei com raiva por você estar mudando o roteiro da minha vida e muito feliz pelo mesmo motivo. Todos que vieram foram embora e eu sei que já existia um plano a ser seguido, mas você resolveu não respeitar isso. Quando você não foi embora e me deu um nó no cérebro, eu não sabia que você mudaria tanto as coisas. E aqui estou eu, escrevendo sobre você.

Não sei como as pessoas olham para você, mas eu com certeza não te vejo como todas as outras pessoas. Você não é apenas um rosto num corpo bonito, é, sem dúvidas, algo mais precioso, como a versão de um presente que eu sempre quis, mas nunca tinha encontrado em loja alguma. Quando mais penso no quanto estou te conhecendo, mais me sinto privilegiado por ter esse direito.

Ainda que eu fale mais do que você, todas as vezes que quiser desabafar, você terá bem aqui ouvidos atentos e uma mente maquinando uma solução para ajudar você a resolver seus problemas. Quero que saiba que eu amo você – e acho que foi a pessoa que conseguir amar mais rápido em toda a minha vida.

Você merece meu tempo escrevendo textos num frio cortante que está em Maceió e merece também minhas preocupações quando sair de casa para outro bairro (não faça mais isso). Você merece muita coisa, mas dentre elas, a minha gratidão por ser tão paciente comigo e por gostar de mim também.

Eu sabia que você se apaixonaria por mim, porque eu sou incrível.
Mas eu não sabia que eu pudesse me apaixonar por você.

Venha correndo, mas sem muita pressa para não perder o detalhe das coisas. Se avexe não, estou esperando você.

Thallyson Linik

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