A teoria do guarda-roupa bagunçado

Minha mãe tinha uma teoria. Você já deve ter lido uma frase parecida em algum texto meu por aí. É que eu gosto de identificar algum aprendizado mesmo nas coisas mais bobas que escuto durante o dia.

A teoria da minha mãe é que quando eu ficava muito incomodada com a organização do meu guarda roupa é porque eu estava incomodada comigo mesma e arrumar o guarda-roupa na verdade era uma tentativa de arrumar o meu interior.  Aí dia desses falando num grupo de amigas, uma delas me disse que sua terapeuta teria sugerido isso a ela. “Fulana, quando você sentir que o seu guarda-roupa está bagunçado demais, mesmo que para as outras pessoas esteja ok, é porque o seu interior precisa de uma organização”, aí minha amiga me disse isso e eu pensei: Caramba, a teoria da minha mãe sempre esteve certa!

Louco isso né? Quer dizer que se eu me incomodar com a arrumação do meu armário é porque provavelmente estou incomodada comigo mesma. Aí eu ajuntei a teoria da minha mãe, a conversa com as amigas e os papos que ouço no ponto de ônibus (quem nunca?) e conclui que às vezes a gente quer mudar a vida do dia pra noite, realizar todos os desejos, assim, num piscar de olhos, ter a carreira dos sonhos, o casamento dos sonhos, a casa dos sonhos, o corpo dos sonhos e esquece que algumas coisas levam tempo.

Esse incômodo de querer mudança é ótimo, não deixe que ele vá embora, ele te motiva a mudar as coisas, a destruir conceitos errados, a levantar da cama de manhã, mas não esquece que arrumar as roupas bagunçadas é muito mais fácil do que organizar o seu interior, a sua vida. Então, tá tudo bem se tudo que você conseguiu fazer até agora foi mudar o corte de cabelo, você está dando passos pequenos, mas firmes em direção ao que deseja e acredito que isso merece ser comemorado também.

Se o seu interior está gritando por reforma, arrume um tempinho na agenda para ouvi-lo, para jogar fora os sentimentos que não cabem mais, para redescobrir perdido em algum cabide sonhos que você já tinha esquecido. Você achará com mais facilidade aquele casaco que adora usar em dias nublados. E descobrirá que sempre esteve aí dentro as respostas que pensava que encontraria nos outros por aí.

O mundo da Lari

 

21 anos, garota do interior, puxa bem de leve o ‘R’ na hora de falar. Viciada em café recém passado, seriemaníaca de carteirinha, apaixonada pelo céu, pelo Sol, por cachorros e pelo Dan, é claro. E escreve também no “O mundo da Lari”.

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