Então você veio e todas as incertezas se foram

Fui muito machucada. Não uma, nem duas, mas todas as vezes que conheci alguém. Sempre assim; eu dava tudo a quem não queria nada de mim.

Aos poucos fui me fechando nesse mundo interior de culpa, medo, desespero e até mesmo vergonha. Quando perguntada sobre o coração, não sabia ao certo o que dizer, ou melhor, não sabia nem ao menos se queria ou deveria responder.

Eu já não sonhava mais com um amor, me acostumei à solidão. Aprendi a viver bem comigo mesma, a passear sozinha, ir ao cinema desacompanhada e viver. De início foi difícil, não aceitava minha condição. Quando via casais sentia inveja, desprezo, e um desejo ardente de ser eu a garota das fotos. Demorou, mas aos poucos essa aura ruim deu espaço para renovação e amadurecimento, e de repente o que sentia era apenas vontade de sorrir observando como era bonito o caminhar de mãos dadas daquele casal do outro lado da rua.

Depois de anos, estar solteira já não era mais necessidade, e sim opção. Eu queria estar só, e mais que isso, me sentia confortável assim. Ia onde queria, com quem queria, fazer o que desse na telha, sem satisfações, sem perguntas, sem hora pra voltar, sem coração partido. Me vi no auge da juventude: jovem, alegre, bonita, solteira, dona de mim, rainha do meu próprio coração. O controle de minha vida estava em minhas mãos.

E então você chegou.

Do nada! Até hoje não sei explicar de onde você veio, ou melhor, como você entrou. Há muito tempo não abria o portão para ninguém, mas sinceramente acho que mesmo que não tivesse aberto você teria as chaves de todos os cadeados. Sim, não era a porta de uma casa, era o portão de uma fortaleza; após muitas frustrações você aprende a se defender.

Mas quando vi você estava ali, sentado ao meu lado, tomando um café e contando sobre a bagunça dos dias. Quando percebi você chegava de manhã com um “bom dia”, e ia embora pra lá de meia noite com um “durma bem”.

Quando me dei conta já estava te contando sobre minhas dores do passado e sabendo das suas, e isso me fazia sentir feliz, afinal, havia encontrado alguém que compreendia todo esse medo disfarçado de solteirice que havia em mim. E isso me fez tão bem.

E eu quero curar suas feridas, colocar em prática tudo o que os anos de solidão me ensinaram. Eu quero te abraçar forte o suficiente para afastar todas as memórias ruins; quero segurar sua mão com a mesma segurança e ternura que uma criança segura a mão dos pais em um passeio de domingo; eu quero estar ao seu lado mesmo que você não peça para estar ali.

Eu quero entregar a você todo esse amor que há dentro de mim, e que por anos foi sufocado, esquecido, quase morreu, mas que se renovou ao ser cuidado por você.

Quero fazer essas coisas bobas de namorados que a gente vê na TV e fica imaginando um dia fazer igual; quero fazer um book de fotos pra daqui uns anos poder olhar e sorrir lembrando do dia em que foram tiradas; quero chorar no seu ombro quando algo difícil me afligir e servir de refúgio contra as suas mágoas. Quero te dedicar uma música, ficar um domingo inteiro de pijama olhando a chuva, te marcar numa publicação, conhecer seus pais.

Mas acima de qualquer coisa, quero cuidar de você da mesma forma que você cuidou de mim.

 

 

Ela é a menina que grita em silêncio, e desenha em palavras o uni-verso. A Deus tudo atribui e, dele, tudo recebe. Sempre flutuando em outros mundos, mas com os pés fixos neste aqui. Como canta Ana Carolina: “é que eu sou feita pro amor da cabeça aos pés, e não faço outra coisa se não me doar”.

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