Quer (re)namorar comigo?

É preciso muita coragem para amar diariamente. Amar, estar apaixonado, sentir aquele sentimento que vem lá do fundo da gente que, sem lógica, não conseguimos explicar e, resumimos em “estou gostando demais”. É um ato de coragem; um tiro dado no escuro em um alvo especifico. No escuro porque muitas vezes não acertamos. No escuro porque muitas vezes atiramos todos os nossos desejos e sonhos e, infelizmente, nos queimamos com a pólvora do disparo; queimamos a mão, o braço, as roupas, a língua, o corpo, as esperanças. Dá medo. Dá medo arriscar.

Acontece que é cada dia mais difícil arriscar tudo por alguém. Todos os sinônimos – sinônimos não tão literais, só próximos – para “eu gosto de você” traz, inseparavelmente, além de todos as sensações prazerosas do amor, um pouquinho de dor. Talvez, muita dor. É… impossível viver um sem descartar o outro. Mas, às vezes, vale a pena. Vale muito a pena. Quem que em suma análise dos prós e contras do tiro de confiança às cegas, arriscaria? Você; Ela; Ele; Eu… desde que, lá no fundo, estivéssemos entregues ao sentimento primário da gente: amar sem porquês. Amar, por instinto; feito criança recém nascida que apenas sente. E sorri sentindo.

É complicado. Pessoas vêm e vão. Cada uma com suas histórias, seus gostos e desgostos; toda pessoa que passa pela nossa vida nos ensinam um pouquinho do amor e, óbvio, um pouquinho da dor. Elas vêm para nos fazer sorrir, para nos animar em dias tristes quando nem forças para tirar o pijama, possuímos. Elas, quando damos sorte, nos fazem querer ser melhores do que somos; e, têm aquelas que nos machucam, nos fazem chorar e, decepção atrás de decepção, nos tiram a fé no amor; é um tombinho aqui, uma apunhalada acolá e, pronto, não quero saber de mais ninguém nunca mais. Quem sabe por isso, e tudo isso, muitas pessoas escolhem se relacionar sem definir exatamente o que são. Apenas, estão. Estão o que? Estão ali curtindo só o momento.

A gente está junto sem assumir nada. É mais fácil depois descartar o outro, ou, aceitar uma rejeição sem precisar pegar os caquinhos do nosso coração pelo chão. Afinal, o que não é feito para ser durável pode ser quebrado sem tanto apreço; sem nenhum apego. As pessoas que, geralmente, vêm para causar dor pensam assim, acredito: estou com você até me cansar, depois vou embora e tudo bem, fique aí com seus sentimentos. Algumas pessoas valem a pena o risco. São pessoas que sabem o que querem, são decididas e, nos provam, atitude atrás de atitude, que querem laços com a gente. E, não nós que nos apertam e sufocam e nos matam com doses homeopáticas de descasos, de descompromissos dos vários tipos.

“Quer namorar comigo?” é uma frase em extinção. Mas, valiosa. É aquela pepita de ouro dos relacionamentos atuais. É preciso acreditar no que se pede, é preciso compromisso de dentro para fora e, um pouquinho de coragem para dizer essas palavras e receber deboche ao invés de seriedade de quem as recebe. Eu tenho coragem, apesar do medo da rejeição. Mas, prefiro arriscar a positiva resposta, do que deixar a dúvida do que somos permear a gente, até nos separar de fato. Porquanto, vai por mim, a dúvida separa.

Algumas pessoas valem a pena se apaixonar. Por algumas raras pessoas vale a coragem de dizer a frase mumificada, envolta de desapego. Do tempo dos nossos avós. Tem coisa mais gostosa do que filminho no final da tarde com pijamas, meias, baldão de pipoca – ou outras delicias – e, carinhos? Churrasco de domingo com a família? Apresentar o outro para a família, aliás? Guarda-chuva dividido em dias chuvosos? Ou… enfim, são essas coisinhas que só pessoas definidas sabem o valor do compromisso; afinal, a gente não faz tudo isso com qualquer um. Vale sim correr o risco da dor e, do medo que é perdê-la a qualquer instante; arriscar tudo é um voto de confiança na felicidade que bate na cara para dizer que chegou. Felicidade que faz alarde, que tem morada conhecida. Tem que dar a cara mesmo e dizer “pode bater que eu aguento”. Tem que dar a cara e (re)dizer: “Quer (re)namorar comigo?”.

 

 

Piaunense, criado e educado em São Paulo desde os primeiros meses de vida, então, pode-se dizer então que, é mais paulista do que nordestino, mas mesmo assim, ama suas raízes. No dia-a-dia é só mais um cara que olhando de longe, ninguém diria que é escritor e que fala de amor. O amor está em tudo e em todos, e ele diz que tem bastante para compartilhar com vocês.

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