Eu prefiro as pessoas erradas

Isso pode parecer estranho, mas é verdade. Eu prefiro as pessoas erradas… Eu não quero alguém que adivinhe todos os meus desejos e que corresponda à todas as minhas expectativas. Não estou afim de mergulhar em alguém que diga as coisas mais belas na hora certa e que aceite todos os meus defeitos e imperfeições. Não me interesso por pessoas que queiram me fazer sorrir o tempo todo e que sonham com uma relação toda perfeita, tipo comercial de margarina, sabe?!  Os amores que sonham com a perfeição não abrem espaço para os erros humanos. Humanos… Somos humanos, portanto erramos, choramos, brigamos… Pedimos desculpas e alteramos a direção da rota. Temos tantas dúvidas, tantos sentimentos mal resolvidos dentro do peito, por que disfarçá-los?!

A perfeição aniquila a sinceridade. As pessoas que se acham certas pesam demais… Elas estão iludidas, seduzidas pelos sonhos que inventaram e que jamais serão realizados.

Se eu me apaixonar, quero que seja por alguém cheio de defeitos assim como eu. Alguém mais humano e mais distante da perfeição. Alguém que viva a vida com leveza, de coração aberto para aprender com os próprios erros e que não exija perfeição de ninguém. Alguém que estenda a mão quando eu cair e que me abrace quando eu vencer.

Sou imperfeito, admito. Há dias em que eu me sinto forte o bastante para enfrentar o mundo inteiro se for preciso… E tem dias que eu me sinto a criatura mais vulnerável do planeta, precisando de um abraço, chorar um pouquinho e fraquejar… Fraquejar sem ter medo do que os outros vão pensar. Acho que não há vergonha nenhuma em assumir as próprias fraquezas e permitir que elas falem mais alto às vezes. Existem gritos calados aqui dentro de mim, coisas que não ouso dizer a ninguém, mas que vivem assim, prestes a eclodir, urrar, explodir! Uma erupção abafada. Saudades a esmo, extremamente revoltadas.

Por isso eu prefiro as pessoas erradas, aquelas que vivem suas emoções intensamente, sem medo de errar e de confessar seus próprios medos. Gosto daquelas pessoas despudoradas, que não se escondem atrás de milhões de máscaras e que se entregam sem pensar nas dores do amanhã… Fico encantado por quem assume os próprios defeitos sem se preocupar com os dedos apontados e julgamentos alheios.

Essas pessoas me parecem muito mais reais e cheias de vida. Humanos que estão num processo constante de construção e desconstrução, abertos à pensar diferente e mudar de opinião sem excessos de orgulho e vaidade. O amor fica mais interessante quando alcança a realidade e não as utopias de perfeição. Demorou muito para eu perceber que o amor não é para românticos. E eu confesso, fui um romântico exagerado por muito tempo e caí do cavalo muitas vezes… Amor é para realistas. Não serão as lindas músicas, nem os belos textos que sustentarão uma relação, mas sim a capacidade de enxergar o outro como ele é, amá-lo, perdoá-lo, passar por cima das diferenças e dialogar muito.

Este é o amor sólido e verdadeiro. O resto é poesia e romantismos exacerbados.

 

 

Pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e escritor se fundem no que ele escreve. Conheça o blog: www.hugoribas.com.br

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