No fim, a gente acaba entendendo que não podemos perder o que nunca foi nosso

Por mais que seja difícil de aceitar ou entender, mas realmente há afastamentos que vêm para o bem. A total proximidade muitas vezes nos impossibilita de enxergar aquelas velhas coisas não tão agradáveis que estão bem ali, diante do nosso nariz, e nós sequer notamos devido ao comodismo que a companhia da pessoa representa em nossa vida. Eis que as circunstâncias então fazem acontecer uma separação. E é exatamente aí, na distância, que aos poucos vão sendo esclarecidas as questões que antes passavam despercebidas.

Mesmo que não façam sentido a priori, mas cedo ou tarde cada peça vai sendo minuciosamente encaixada e tudo vai se tornando aceitável, compreensível. Às vezes um afastamento dói. Romper a rotina ao lado de uma pessoa que até algum tempo atrás preenchia os teus dias, machuca bastante.

Nos questionamos como tal coisa foi acontecer e nos perguntamos quando tudo voltará ao normal, porque no fundo, o que a gente quer é ter paz, mesmo que isso nos custe a razão. E com o passar da angústia, a paz vai chegando e se fazendo morada na nossa mente e coração. Vão se dissipando as dúvidas, as mágoas vão virando pó e as noites mal dormidas dão lugar a outras reflexões tranquilas que nos embalam até pegar no sono.

No fim, a gente acaba entendendo que não podemos perder o que nunca foi nosso. Que laços feitos com a força da verdade não desatam com qualquer puxão. E, que acontecimento algum, independentemente da intensidade, é capaz de separar duas pessoas que um dia foram só uma.

Porque não existe sensação melhor do que a distância remover uma pessoa de sua vida, e você até sofrer por isso, mas depois perceber que não perdeu nada, e sim, que se livrou. Isso é amadurecer.

Paraibano, escreve nas redes sociais desde 2010 e é autor do livro “Talvez não seja tarde”. Jey encontra na escrita a sua válvula de escape e é na simplicidade das palavras que ele extravasa todo o seu sentimento.

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