Eu bem que me avisei

Sabe quando você sabe que vai dar errado mas ainda sim você insiste naquela ilusão? A gente vive se iludindo, as vezes ciente o tempo todo que não vai dar certo, mas com aquela esperança lá no fundo que ainda pode dar certo, e quando uma faísca de realidade aparece em meio a escuridão que nos cega, não tem pra onde correr. A gente começa a enxergar mais e melhor, e enxergando que aquilo não é o que achávamos que era, precisamos tomar a decisão de colocar um ponto final na história que nunca dará certo.

E não podemos dizer que ninguém nos avisou que não daria certo, pois nós mesmos nos avisamos lá no início, mas tem gente gosta de insistir no erro até o último suspiro, no caso, eu mesmo. “Ei, não entra nessa não, não vai dar certo. Você sabe disso. Ela não é pra você, acorda cara!” Parece papo de pessimista, mas minha consciência sempre me avisa quando conheço alguém muito diferente de mim e que eu sei que não vai dar certo. Eu tenho até medo da minha intuição estar certa, porque eu não me dou muito bem quando isso acontece. E com você não foi diferente, eu estive ciente o tempo todo, eu bem que me avisei! Mas como sempre, não me dei ouvidos.

Naquela época eu estava tranquilo, em partes, só tinha a faculdade para me preocupar (que já era muita sobrecarga psíquica), eu não estava procurando ninguém. Meu coração estava vazio mas pelo menos não sentia falta de ninguém que existia e sabia que podia me fazer bem, mas não o fazia. Eu estava bem até que você fez o péssimo favor de aparecer.

Éramos totalmente diferentes e nos fantasiávamos de parecidos para agradar nossos próprios egos. Não sei onde eu estava com a cabeça, talvez eu estava ouvindo Vanguart demais e como demorou pra ser, eu achei que daquela vez seria, mas não foi. Ou talvez eu estava assistindo filmes românticos demais, aqueles em que os mocinhos sempre se dão bem no final, o casalzinho lindo passa por muitas dificuldades e terminam juntos… tsc… tsc.. tsc… nunca tive vocação pra ser mocinho, sei bem, e o nosso final não foi feliz (exatamente porque tivemos um final). Confesso que demorei a te arrancar daqui, você entrou em mim como o vício da pior e mais cara droga existente, eu queria sempre mais mas não conseguia mais.

Eu achava que suas migalhas um dia se transformariam num banquete principal que me saciaria, mas nunca passou disso. Eu estava preso por uma corrente imaginária em um mundo que você inventou e me fazia acreditar que era real. Eu demorei foi pra cair na real, você me mantinha dopado o tempo todo e quando eu tentava escapar, você voltava e alimentava meu vício novamente com seu pouco só pra eu não fugir de vez. Quando abri meus olhos, percebi onde eu estava. Que era lugar nenhum. Eu estava me afogando sozinho no seu mar de ilusões e achava que o culpado do nosso barco ter furado era eu. Grande erro, você nem estava comigo naquele barco. Eu era só mais um navegante solitário naquele a’mar de ilusões.

A parte boa de se iludir (pelo menos pra quem faz arte) é que depois dá pra fazer arte em cima dos sentimentos que ficam, bons ou ruins, eles tem serventia. Quantas desilusões amorosas já viraram lindas poesias, lindas canções, pinturas ou outros tipos de arte por ai, não é mesmo?! E para quem não faz arte, nem tudo está perdido, a gente que não sabe tirar proveito.

Depois de um fim, temos que tentar entender o que deu errado e o porquê de dar errado, pra tentar não cair em outra armadilha dessas novamente. Ser mais cauteloso e dar mais ouvidos à sua razão. Quando o coração fala alto demais, o fígado costuma apanhar depois. Decepções amorosas não são apenas dor e tristeza, são ensinamentos e mais experiência para relacionamentos futuros. Nem todos tem capacidade pra conseguir entender o que se pode melhorar, nem todos irão aprender alguma coisa, nem mesmo esse que vos escreve, mas podemos tentar melhorar sempre. Nosso psicológico e fígado agradecem.

 

Mineiro, apaixonado por música e literatura, arriscando-se inclusive a escrever algumas linhas.

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