A sua migalha não me atrai

É… Talvez você tenha se acostumado a me ver implorando pela sua atenção e agora não está sabendo lidar com esse meu novo jeito de ser. Acontece que eu estou transbordando amor próprio e fechei as portas para qualquer tipo de carência. Você se lembra de como eu era dependente da sua presença, do seu beijo e do seu carinho?! Então, agora saquei que tudo isso nunca me fez feliz… Eu tinha um medo bobo da solidão, mas aprendi a encará-la de frente. Admito que isso me fez muito bem. Estou construindo a melhor versão de mim mesmo e não existe chance de voltar atrás. Agora o jogo virou. Suas migalhas já não me atraem mais. Os olhos do meu coração já não se encantam mais com as sobras de afeto que você jogava para mim. Se quiser ficar ao meu lado, vai ter que aprender a amar essa nova pessoa que está nascendo em mim…

Amar…

Amor…

Será que você sabe o que é isso?! Acho que não. Você confundiu o “amor” com “satisfação de ego”. Você sempre gostou de ter alguém aos seus pés, alguém que te colocasse num pedestal altíssimo. Que feio hein?! Isso não é amor… Isso é jogo de vaidade. E nesse jogo eu não caio mais. Se você pode oferecer amor, faça isso sem mesquinharias, não economize atenção, cuide de quem te faz bem. Não seja esse tipo de pessoa cretina que apela para joguinhos bobos, vácuos inexplicáveis e indiferenças fingidas. Gente assim não vale a pena. Não magoe de propósito, não manipule situações, nem faça cobranças em excesso… Ninguém é perfeito, sacou?! Amor bom é amor que compreende, que abraça, que caminha lado a lado… Amor que vale a pena é aquele que respeita os defeitos, a insegurança e os medos. Sinto em lhe dizer, mas você nunca foi o tipo de pessoa que sabe oferecer amor. Respeito e companheirismo são palavras que não existem no seu vocabulário… Carinho, para você, é como lixo descartável. Você pode facilmente jogar fora e trocar por outro.

Não se assuste com minha sinceridade repentina e nem confunda todas essas palavras com “orgulho ferido”. Eu pensei muito antes falar sobre o que sinto. Tive que enfrentar processos dolorosos dentro de mim… Primeiro eu tive que me reconciliar com todas as minhas carências que não eram poucas. Aprendi a aceitar todas as minhas fragilidades, aprendi a valorizar a minha alma, o meu corpo e o amor imenso que tenho dentro de mim. Não foi fácil, admito, mas todos esses desafios serviram para me fortalecer e me fazer entender que os seus restos de amor são muito pouco para alguém como eu.

Eu mereço amar sem medo.

Eu mereço viver histórias felizes.

Eu mereço estar com alguém que seja recíproco por amor e não por cobrança.

Quanto ao que você merece… Bem, você… Não vou bancar o bonzinho… Você merece se apaixonar verdadeiramente por alguém que te ofereça nada além de migalhas. Você merece passar por essas dores também. E um dia, quando você tiver experimentado o sabor amargo de um amor solitário e desprezado, vai ter que aprender a conviver com seus arrependimentos, vai ter que lidar com a indiferença cruel de todas essas pessoas que um dia te amaram. E vai chegar à triste conclusão de que você não passa de um cuzão.

Pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e escritor se fundem no que ele escreve. Conheça o blog: www.hugoribas.com.br

Comments

comments

Talvez você goste de...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *