Fuck apologies

Ouça enquanto lê:

Peguei o telefone e, na minha carência e medo de te perder, ia ligar.
Eu juro que ia!
O plano era pedir desculpas assim que você atendesse ao telefone.

Parei por um instante, com o dedo no primeiro número do seu celular – um dos poucos que sei de cor – respirei fundo e comecei a formar um diálogo coerente em minha mente, digitando os números subsequentes.
Mas não apertei o botão de “ligar” porque, enquanto pensava, descobri que não sabia o que dizer.
Meu discurso coerente, não era coerente comigo.

Eu me desculparia por qual motivo?
Por qual motivo eu me desculpei com você nos últimos meses?
As lembranças de como as conversas começaram, estavam explodindo na minha cabeça, enquanto eu ainda estava com o telefone nas mãos e o apertava com toda força.
Era mais ou menos assim:

– Hey, me desculpe por tudo…
– Oi, me desculpe por qualquer coisa…
– Olha, eu sinto muito pelo o que quer que eu tenha feito…

Mas o que eu tinha feito para me desculpar tanto?
Será que eu tinha errado tanto assim em nosso relacionamento?
Na verdade, eu só sabia que a culpa do que quer que tenha acontecido, era minha.
Obviamente, ele era perfeito e incapaz de errar, certo?

Colocando o telefone de lado, me senti cansada de toda a reflexão, de todas as lembranças que voltaram à minha mente.
Sentada no tapete, finalmente percebi o que eu vinha fazendo,
Sempre me desculpando por ser quem eu sou e eu jamais deveria ter que fazer isso; ninguém deveria fazer isso.
Aí eu percebi que, no fim das contas, eu não sentia muito.

Não sentia naquela época e não sinto hoje.
Não sinto por não ter ligado,
Não me desculpo por não me desculpar quando você ligar e,
Não sinto nada por querer terminar com você.

Na verdade, me sinto livre,
Leve,
Dona de mim,
Mas com um pouco de pena de tudo que eu fiz pra te agradar.

Mas não sinto muito.

 

Mineira que vive no Rio, escreve em vários blogs lindos, ama Friends e Taylor Swift e, apesar de ser advogada, se encontra mesmo é na escrita. Ama café, pôr do sol no inverno, gatos e odeia pagar boletos. Dona e proprietária do Vigor Frágil

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