Não brinques com os sentimentos dos outros

Parece que as molduras ainda nos fazem reféns de algumas boas fotografias que não tiramos. Nossa fragilidade é tanta que acaba por cegar o verdadeiro ímpeto que habita nossos gélidos corações profissionais, os quentes amadores de outrora. Já conformados com a imperatividade das regras que não lhes cabem e foram impostas mesmo assim. Torturamos e somos torturados, diariamente, na ânsia de que a próprio orgulho torne-se empatia, deixando nos guiar por um descaso programado, até a próxima mensagem, milimetricamente calculada para que ocupe um espaço morno, nem muito quente, nem muito frio. Desde que seja aconchegante e palpável o suficiente para reagir aos impulsos, tudo bem. Encontramos uma facilidade enorme em dificultar os cafés, as saudades, os encontros e as ligações para que possamos passar despercebidos pela nossa coragem, deixando que essa tal covardia educada que nos foi vendida como certeira, assuma o controle da nossa personalidade.

Que bobagem! A tolice intolerante que nos habita, só serve para alimentar nossas frustrações. Não temos mais tempo para cativar borboletas no estômago porque estamos ocupados demais curando nossas gastrites nervosas, e ensaiando um choro velado, daqueles que a gente força quando perde algo que nunca teve, sabe? Nesse marasmo silencioso e fatal, deixamos escapar por entre os dedos as possibilidades de uma escolha bem feita, justamente por não sabermos sentir demais, acabamos por sentir muito. Impondo barreiras carregadas de critérios de avaliação e comportamento.

Não queremos ser taxados de otários, fáceis ou qualquer adjetivo que entone nossas possíveis fraquezas e acabamos nos comportando como verdadeiros imbecis que não são capazes de expressar as mais singelas formas de carinho. Isso não é amor, nunca foi e nunca será, é apenas um reflexo daquilo que nos venderam como ‘’boas maneiras’’. Talvez seja apenas medo de nos tornamos verdadeiros clichês, eu sei! Porém esta a forma impossível de tentar tornar algo possível.

Como todo o jogo, alguém sempre perde no final e, especificamente nesse não há vencedores, a não ser a decepção de saber que poderíamos ter feito diferente, do nosso jeito, o almejado ‘’jeito certo’’.

Portanto, se não sentir, não diga, não enrole, não tente pegar um atalho para uma resposta mais confortável, porque o abismo chega, ora ou outra. E quando cair na realidade será tarde demais. O mundo gira e nós somos os únicos responsáveis pelo nosso próprio equilíbrio. Não passe rasteiras nos outros com falsas esperanças e demoras incessantes. Fique ciente de que, todos aqueles que cozinham as expectativas dos outros, acabam se queimando, mais cedo ou mais tarde.

Esse é um texto colaborativo, um projeto aqui do site em que as pessoas mandam textos e nós postamos os que mais gostarmos, podemos omitir seu nome se preferir, só pedimos um mínimo de 450 palavras para textos, ou que os poemas estejam divididos em versos. Você pode entrar em contato pela chat da página, ou pelo email colaborativosqmt@gmail.com, só coloque no assunto “texto colaborativo”.

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