O que era amor tornou-se nada

Sabe de uma coisa, chega de ficar aqui chorando pelos cantos! Chega de tentar entender tudo o que aconteceu, não vou mais procurar explicações. Eu devia ter me cuidado, eu sei. Eu devia ter evitado, eu sei. Mas sou assim, intenso. E não tenho vergonha disso, eu me entrego mesmo. Gosto de sentir o coração bater forte, gosto de pensar que vai ser pra sempre e que as promessas serão cumpridas.

Tudo o que tenho agora são lembranças vazias de um amor que ainda dói. Dói muito. Dói saber que tudo não passava de uma ilusão e que meus sonhos não tinham importância alguma. De um dia para o outro, o que era riso tornou-se lágrima. O que era amor tornou-se nada… Então era tudo mentira. Resta esse meu coração cheio de dor pela promessa que não se cumpriu.

 

Eu cheguei a pensar que a minha vida era um caso sem solução… Eu estava completamente esgotado e sem esperanças. Enclausurado num relacionamento falido, achei que meu destino era viver ao lado de uma pessoa que não me valorizava. Acho tão engraçado quando esse tipo de situação acontece! Quem nunca passou por algo parecido?! De repente você percebe que está construindo uma vida junto de alguém que só faz te maltratar e desprezar… Mas até isso acontecer, leva tempo. Você fica ali insistindo feito uma mula velha e empacada, sonhando com mudanças que jamais ocorrerão, morrendo de medo de sofrer mais ainda se “perder” aquela criatura cuja presença só piora a sua vida! Só que você está cego demais para perceber isso. Cego de amor-próprio, cego de carência, cego de paixão… Cego de tudo!

Até que por uma obra milagrosa do destino, você encontra forças sabe-se lá onde e resolve dar um jeito naquilo tudo. Toma finalmente uma atitude e expulsa de vez aquele encosto de encruzilhada que só atrasava a sua vida. Isso é uma libertação. É como voltar a segurar as rédeas do seu destino e mudar a direção sem pensar duas vezes… A vida precisa de pessoas corajosas. Ela jamais será capaz de te ofertar coisas boas se você não for ousado o suficiente para lutar por elas.

Antes eu só escutava o medo, a insegurança e o trauma. Era incapaz de arriscar… Vivia apegado às migalhas de amor que qualquer um me atirasse, sem nem ao menos parar para refletir a respeito do valor imenso que possuo. Eu já disse isso uma vez e repito: Eu não sou qualquer um, eu sou foda!

Eu cheguei a pensar que o amor não era pra mim e que nessa partida qualquer esforço seria em vão, pois eu perderia sempre… Tive a ousadia de afirmar que eu não era digno de ter alguém especial. Bobagens de quem ainda não aprendeu o significado de amor próprio. Mas tudo isso é passado. Um passado longínquo e quase apagado pela força do meu presente… Pois o hoje, meu caro, é o meu melhor dia… O meu hoje é o resultado das voltas que o mundo dá… O meu hoje é a prova viva de que a partir do momento que eu sorri para a vida, ela sorriu para mim.  O meu hoje é uma felicidade absolutamente minha, só minha, e permita-me o egoísmo de não compartilhar contigo as razões para tal.

Ainda que esse cheiro de desesperança e decepção paire pelo ar, penso eu que devo proteger meu coração como se ele fosse um bebê recém-nascido, extremamente frágil e vulnerável. Pra quê contaminá-lo com o vírus do ódio e da descrença?! Ainda que tudo ao meu redor pareça conspirar contra a minha felicidade, é meu papel saber enxergar e agradecer as pequenas alegrias que a vida me oferece, como se num ato de generosidade ela resolvesse aliviar um pouco o peso que inevitavelmente carrego nas costas. 

Pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e escritor se fundem no que ele escreve. Conheça o blog: www.hugoribas.com.br

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