Acordei me amando mais

Ontem acordei me amando mais. Amar-se é um processo cansativo e difícil, devo confessar. Temos uma ideia torta de que amor próprio é algo natural e involuntário, mas a verdade é o oposto disso. Somos nosso maiores vilões e piores críticos. Como faz para amar uma pessoa a quem se conhece todos os piores defeitos, todos os maiores segredos, todos os medos e anseios? Seremos eternamente imperfeitos aos nossos olhos, então como se amar?

 

É um caminho longo esse de se aceitar exatamente do jeito que se é. Temos tendências a mudar a rota inúmeras vezes, procurar atalhos e sermos menos nós mesmos, para nos tornamos parecidos com aquele alguém que admiramos e demora um tempo até entendermos que não adianta querer mudar, porque essência não se muda: só evolui. Podemos evoluir um pouco aqui, um pouco ali, ajustar umas vírgulas… Quando tentamos ser o que os outros são, nos tornamos atores dentro da própria vida, mas não dá para simplesmente atuar o tempo inteiro.

 

Admiro as pessoas que aprendem a se aceitar desde cedo. Eu levei quase vinte e oito anos para parar de implicar comigo. Não foi de repente que entendi que a mudança que queria ver deveria partir de dentro, então comecei a agir e mudar meu caminho, seguir meu ritmo e dançar conforme a minha música, ainda que destoasse do resto do mundo. A felicidade veio como consequencia…

 

Amar-se é aceitar-se imperfeito. E hoje sou capaz de rir das minhas imperfeições e melhorar o que estiver ao meu alcance, se isso for o melhor para mim. Não busco mais mudanças para atingir padrões e estereótipos e tento não me comparar mais com as outras pessoas. Amor próprio não o fato de se amar acima de tudo e se achar melhor que tudo e que todos, é entender-se. Uma autoavaliação. Saber seus pontos negativos, saber seus pontos fracos, tentar melhorar como pessoa. Conhecer seus limites e respeitá-los. Amor próprio é simplesmente ter respeito por si mesmo e conviver bem consigo.

 

Engenheira, blogueira, escritora e romântica incorrigível. É geminiana, exagerada e curiosa. Sonha em abraçar o mundo e se espalhar por aí. Vive com a cabeça nas nuvens. É, definitivamente uma colecionadora de amores platônicos e saudades. Nasceu e cresceu no litoral catarinense, não nega a paixão pela praia, pelo sol (e pelo frio) e frutos do mar.

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