Eu voltei pra mim e descobri que sou o meu lugar preferido

Desde o último ponto final eu decidi começar uma espécie de transformação interna. Venho de milhares de recomeços e páginas escritas até a metade, já decidi algumas outras vezes escrever uma nova história, mas parei no meio de todas porque surgia alguém, e partir dali, eu lhe entregava a caneta e o rumo da minha vida. Fiz isso tantas vezes, deixei alguém de fora se tornar o protagonista principal da minha história. Tola. Mas isso mudou no último ponto final. Dessa vez eu forcei a tinta da caneta o suficiente para ficar marcada por algum tempo, por algumas páginas, e desde então eu voltei pra mim.

Eu voltei para o amor inicial, aquele que brota no peito e floresce dentro da gente a cada amanhecer. Meu maior erro foi acreditar que apenas outros corações pudessem me florir, meu maior erro foi acreditar que eu não poderia ser feliz sem a companhia de alguém que me dissesse algumas palavras bonitas de vez em quando. Eu posso dizer essas palavras bonitas a mim mesma, com o alívio de que são ditas com a maior sinceridade do mundo.

Eu voltei para mim. E descobri uma pessoa incrível que deixei escondida esse tempo todo. Sabe aquela sensação de ficar meses longe de casa e quando você volta pro seu cantinho descobre o quanto ele sempre foi maravilhoso e pensa: eu não saio daqui nunca mais. Essa é a sensação. A sensação de que fiquei tanto tempo distante de mim, pulando de amor em amor, buscando nos relacionamentos uma forma de me sentir completa, uma maneira mais fácil de escrever minha história, que entreguei minha felicidade de mão beijada por todo esse tempo.

 A ideia de chegar em casa e encontrar um sofá vazio e uma cafeteira cheia só para a minha xícara, me parecia tão absurda e doída, como se não fosse capaz de aproveitar a minha própria companhia e a liberdade de tirar os sapatos e me jogar no sofá. Eu temia me encontrar só, então preferi continuar só em algumas histórias de amor. Mas desde o último ponto final tudo mudou. O sofá vazio agora é um convite para uma maratona de séries as quintas e vinho com as amigas no sábado. E quando me pego fazendo uma reserva apenas pra uma pessoa no restaurante novo que abriu, eu sinto paz. A paz de que eu posso jantar sozinha, ir ao cinema sozinha, aproveitar o fim de tarde apenas na companhia do meu gato e aprender a amar a minha solidão, porque finalmente entendi que é melhor estar sozinho e cheio, do que acompanhado e vazio.

Não procuro mais o amor da minha vida nos rostos que encontro, pois o encontro toda vez que me olho no espelho. Não me entenda mal, você pode terminar um relacionamento hoje e iniciar outro semana que vem se quiser, você tem todo direito de fazer essa escolha, mas a minha escolha foi, pela primeira vez, assumir o controle da minha vida e não deixar que ninguém escreva a história que é apenas minha. Jobim disse que é impossível ser feliz sozinho, olha Tom, preciso contestar, só é possível ser feliz junto, quando descobrimos o quão necessário é ser sozinho.

21 anos, garota do interior, puxa bem de leve o ‘R’ na hora de falar. Viciada em café recém passado, seriemaníaca de carteirinha, apaixonada pelo céu, pelo Sol, por cachorros e pelo Dan, é claro. E escreve também no “O mundo da Lari”.

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