Desistir nem sempre é a melhor decisão

Certas respostas são muito difíceis de achar, talvez porque precisem de uma certa dose de coragem para abrir feridas escondidas lá no fundo do peito. Confesso que nem sempre estou afim de lembrar de tudo o que já me fez chorar… Já me arrependi de ter desistido de pessoas, sonhos e projetos. E já chorei muito quando alguém, simplesmente, desistiu de mim, assim sem mais nem menos. Não há nada pior do que amar verdadeiramente e ser deixado para trás, como se você não tivesse valor algum.

Às vezes eu me pergunto: Por que desisti tão fácil de pessoas que valiam tanto à pena?! Talvez seja por causa dessa tal “superficialidade de relações”. O amor, mas o amor de verdade mesmo, exige um pouco de renúncia e compreensão. Exige perdão também, porque no fundo ninguém é perfeito, as pessoas erram e pisam na bola o tempo todo. Criamos a fantasia de um amor perfeito, relacionamentos maravilhosos, príncipes encantados e reciprocidade absoluta. A expectativa atinge o seu nível mais alto quando a gente se apaixona. Só que a convivência não é tão encantadora assim… Mais dia, menos dia, vamos ter que encarar os defeitos e as divergências. Mais cedo ou mais tarde vamos perceber o quanto estamos despreparados para lidar com os nossos próprios medos e bloqueios, nossas intolerâncias quanto aos defeitos de quem está ao nosso lado. E é justamente nessa hora que fechamos os olhos. Com a desculpa de que a relação não vai muito bem, nós apelamos para a tal “fila que anda”… Então desistimos… Passamos adiante… Pulamos fora. O grande problema é que isso pode se transformar num círculo vicioso. Entramos e saimos de relações constantemente, ferindo os nossos sentimentos e violentando os corações que cruzam o nosso caminho. É preciso acordar pra vida e aceitar que não existem pessoas perfeitas. Reciprocidade absoluta é muito difícil de achar, talvez ela nem exista, afinal de contas, ninguém será capaz de atender a todas as nossas expectativas o tempo todo… Há que se ter um pouco de equilíbrio nisso tudo.

Foram muitas as vezes em que desistiram de mim… E doeu muito, foi difícil, mas cheguei à conclusão de que eu nunca posso desistir de mim. Nunca! É muito dolorido lidar com essa ausência, não vou negar. De repente, alguém decide partir e deixa um rastro de saudade e desilusão. A gente pula direto pro fundo do poço, é praticamente impossível evitar. A auto-estima, então, desaparece como fumaça… Ninguém consegue descobrir onde ela foi parar. Já perdi a conta de quantas vezes deixei meu amor próprio fugir. Mas nessa tristeza toda que é o término brusco de uma relação, há um grande aprendizado também, pois quem ama de verdade jamais desiste de alguém assim numa primeira dificuldade. Isso não existe! Então se ele desistiu e foi embora, como se isso fosse a coisa mais banal do mundo, é sinal de que não era amor… Era pura ilusão… E neste caso, é muito bom que tenha acabado, ainda que cause dor. Por isso eu digo: Não desista de você. Acolha essa dor, deixe o tempo passar e cuide da sua vida, cuide de você, aprenda e amadureça com tudo o que aconteceu para você estar bem, muito bem para quando chegar alguém que realmente valha a pena, ok?! Não se entregue para qualquer um, você merece ser feliz.

Disso tudo fica um desejo: O de que a gente aprenda a valorizar as pessoas pelo que elas são e não pelo que elas aparentam. Pessoas não são produtos descartáveis. Coração não é brinquedo. Jamais se apaixone pela aparência. Apaixone-se pela alma. Garanto que será inesquecível e especial.

Pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e escritor se fundem no que ele escreve. Conheça o blog: www.hugoribas.com.br

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