Hoje eu chorei por você. E não foi a última vez

Não que você mereça saber disso, mas hoje eu chorei por você. Copiosamente, como há semanas e eu não tenho vergonha de falar isso. Aliás, nunca tive vergonha de te falar tudo o que eu sentia – e talvez esse tenha sido o problema.

Hoje eu chorei, porque eu ainda não achei uma explicação pros tantos ‘por ques’ que ficaram na minha cabeça depois da sua última mensagem. Por quê?

Por que depois de tanto tempo? Por que só agora as mensagens quilométricas, que se perdem de vista quando arrasto o dedo na tela?

Você me tirou o chão e não ficou lá pra me pegar quando eu caísse. Tá, eu tô meio gordinho, ok, mas era só jogar um colchão lá e perguntar se tava tudo bem depois. Eu assisti uns filmes de ação recentemente e – teoricamente – aprendi a cair. Mas isso não rolou.

Foram 127 cigarros até aqui. Eu sei que você vai ficar puta por isso, mas enquanto eu tava sem chão, me segurei no que deu. Desculpe por isso. E não tente fazer disso o centro das atenções. Esse texto não é sobre o tabagismo. É sobre você. É sobre a gente. Ou sobre o que sobrou da gente.

Foram boas noites sem dormir direito, que me fizeram chegar na empresa antes da tia do café. A minha sorte é que eu não tomo e nem precisei disso pra ficar acordado, mas pelo menos eu consegui adiantar um mês de serviço em 7 dias. Obrigado por isso.

Eu chorei porque só agora você veio me falar que a gente poderia ter tido uma história linda, mas que não aconteceu porque o medo foi maior que o que você sentia. E são quatro fuckin anos de uma história que não aconteceu. De um sonho que não foi vivido e de duas pessoas que se amavam e não ficaram juntas. E mais uma caralhada de por ques enchem o meu quarto vazio.

Eu tava indo bem. Fui colecionando quase amores mal sucedidos e transformando cada um deles em poesia, mas nenhuma delas chega perto das que eu poderia ter escrito pra você. Elas existem na minha cabeça. Naquela pastinha que eu nomeei como ‘não mexer’, igual adolescente que tenta esconder a pornografia no computador de casa, sabe? Uma pasta, dentro de outra pasta, com mais 27 pastas e um nome ridículo. Mas pro desespero do adolescente, sempre tem uma tia curiosa, que sai clicando em tudo e quando vai ver, tá feita a merda. Eu tenho uma tia curiosa também. O nome dela é saudade, mas pode chamar de Sa que ela atende. até desconfio que ela passou uma temporada por aí, mas você deu um outro nome pra ela.

Mas eu te falei que eu tava indo bem? Pois é, eu tava. Me esforçando, no mínimo. Até vir tudo à tona.
Primeiramente – agora alguns vão dizer ‘Fora Temer’, mas eu prefiro que saia a saudade -, quem inventou essas recordações do Facebook? Elas são as que mais fodem o rolê. Anteontem foi uma publicação sua no meu mural. Raridade, o nome disso. Ontem foi aquele dia lá na minha praça. A de hoje não tem nada a ver com o Facebook. Lembra da nossa primeira viagem? Aquela que você dormiu no meu colo, sabe? Então. Foi dela. Mais especificamente do dia depois dela. Eu tava fazendo o jantar e te mostrei aquela música do Emicida, que eu vivo compartilhando quando eu lembro de você. Você respondeu com um ‘você é incrível, gordo. Teamo’. A gente se chamava assim com carinho e hoje se trata pelo nome completo. Foi nessa hora que eu chorei de novo. E o coração, como fica? Apertadinho que só…

Fica apertado, porque a nossa história acabou antes mesmo de começar. Não vai ter mais show do Nando Reis, nem do Leoni. Lembra quando a gente assistiu o show do John Mayer juntos naquele Rock in Rio? Esse ano tem de novo e seria uma mentira descarada dizer que eu não imaginei nós dois lá, ao vivo e abraçados, igual no do Jorge e Mateus. Mas não vai rolar. Por causa das suas escolhas não existe mais a gente. E porque os ingressos já estão esgotados também.

Talvez pareça prepotência minha, mas eu sei que aí dentro ainda mora um pedacinho de mim e que um grande amor não se acaba assim (leia cantando Fagner – Espumas ao vento). Sabe o que eu sei também? Eu sei que às vezes pensa em mim quando está sozinha. Principalmente nas noites de chuva, quando os trovões te assustam e você lembra daquela nossa conversa numa madrugada, imaginando estar dentro do meu abraço, que sempre te protegeu de tudo. Nessas horas, pode colocar aquele meu moletom surrado que você ficou. Talvez não tenha mais o meu cheiro, mas de lembranças nossas ele está está cheio.

Eu pouco sei da sua vida, até porque você sempre foi reservada. Já a minha tá aí, exposta pra quem quiser ver o quanto eu sinto a sua falta.

Minha melhor amiga vai casar e comentou o quão foda seria se você fosse a madrinha comigo. Eu ri e mudei de assunto, mas sem admitir que seria do caralho mesmo. Meu sorriso sem jeito falou por si só.

Você sempre repetiu que não precisava de muito. Foi nessa hora que eu percebi que o que você tinha de especial, tinha de burra também. Aceitou um amor mediano, mesmo sabendo que merecia um amor absoluto.

Agora você me diz repetidas vezes que eu fui o melhor cara que passou pela tua vida, mas que não tem como mudar o que já foi e foi ali que eu chorei de novo.

Hoje eu chorei por você e muito provavelmente não foi a última vez. Enquanto tiver Dona Encrenca aqui dentro, capaz que isso aconteça mais algumas vezes.

Agora faz assim, menina tonta: Resolve essa confusão que tá aí, que eu vou me virando do lado de cá.

Ah, acabei de lembrar da música de abertura de F.R.I.E.N.D.S – aquela que tinha um puta significado pra gente – e acho que você deveria fazer o mesmo.

Então, pra acabar a gente faz o seguinte: eu finjo que não escrevo mais sobre você e você finge que me esqueceu, pode ser? Então tá combinado. Valendo.

Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.

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