A gente aprende com as partidas

Uma das maiores lições quando amadurecemos é que não podemos pedir para ninguém ficar. Ficar é uma escolha que ninguém pode decidir pelo outro. Amei muita gente que partiu, fui amado por muita gente que eu não consegui amar da mesma forma de volta. E é assim que algumas pessoas vão embora. Não é ser ruim, sabe? Não é ser uma má pessoa por isso. É que não temos controle do que o nosso coração sente. Vamos cometer alguns erros até aprender como lidar, mas, enquanto isso, vamos partir algumas vezes.

Talvez porque escutou um ‘eu te amo‘ que não pareceu ser verdadeiro. Talvez porque não conseguiu retribuir na mesma medida e preferiu ir para não machucar o outro. Talvez porque se entregava muito mais do que deveria e, para não sofrer, preferiu ir. Partir é uma escolha que tem várias estradas, e cada uma delas tem um significado. Cada uma delas tem um sentimento diferente. Mas ninguém parte sem motivo.

Ser deixado também é muito difícil. Já deve ter culpado muita gente por ter te deixado. Já deve ter imaginado mil motivos para isso ter acontecido. Já deve ter se culpado muito. Mas a culpa não é sua, nem de ninguém, foi só o tempo que errou o momento dessa pessoa chegar e, consequentemente, deu um motivo para ela não ficar.

Acontece.

Acontece porque o destino vai costurando as linhas da vida para nos levar até a pessoa que vai querer ficar. E, quando acontece, a gente também vai ficando. Porque aquela permanência toda vira carinho, conforto, cafuné e ninho. Por isso, não precisa olhar com desespero pra partida. Até esse acontecimento único e verdadeiro, serão inúmeras idas e vindas dolorosas, marcantes e, até mesmo, repletas de mágoas.

Para reconhecer o porto onde devemos ancorar, com a certeza do coração. Afiando as nossas palavras para serem ditas exatamente na hora certa e para a pessoa certa. Que vem cheia de bagagem, de chegadas e partidas, assim como a gente. E o olhar dela, também, estará apurado.

O amor, nessa hora, irá se reconhecer através do sorriso. Acontece, acredite. É claro que acontece. Das chegadas até as partidas, tiramos lições necessárias para aprender a identificar quem deve ficar e onde deveremos ficar. No fundo, a gente não fica de qualquer jeito.

As idas e vindas são as chances que temos para experimentar e se especializar. Para reconhecer o porto onde devemos ancorar, com a certeza virá do coração. As idas e vindas nos fazem olhar com atenção para a chegada.

Nada é por acaso. Nenhuma lagrima. Nenhuma dor. Nem mesmo, uma partida.

 

TEXTO EM DUPLA ESCRITO COM Stephanie Almeida

Baiano cá do recôncavo. Vizinho de Edson Gomes, Sine Calmon, fã de Dona Canô e dos filhos que ela deixou no mundo. Aspirante a jornalista e sonhador de um mundo melhor. Tem axé correndo no sangue e, entre acarajé e sushi… Ele fica com os dois.

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