Flash back de nós dois

Hoje eu passei pela praça e sentei no banco do nosso primeiro beijo. Fiquei ali assistindo o mais lindo capítulo da minha vida e sentindo de novo todo aquele frisson. Revivi a ansiedade, o nervosismo, a adrenalina e até o tremor nas mãos. Sorri sozinha, derramei algumas lágrimas e fechei os olhos nos momentos mais delicados. Hoje eu revisitei minha lembrança mais preciosa e foi doloroso pensar que tudo acabou. Ele não acaricia mais a minha mão, não enrola mais as pontas do meu cabelo com o dedo e nem me belisca. Ele não me invade com o olhar, não compreende cada um dos meus medos e nem me protege de qualquer mal. Ele foi embora.

Tenho dedicado meus últimos meses a esquecer esse amor que brotou, floresceu e morreu dentro de mim. Esquecer não, essa é uma palavra forte demais e acho que jamais serei capaz de apagar todas essas lembranças, mas tenho tentado, mesmo, superar esse fim. Superar para poder olhar para trás sem perder o ar ou desejar muito voltar no tempo para reviver cada minuto. Busco quebrar as correntes que ainda me prendem a um passado que foi tão lindo e tão doloroso que me deixaram imóvel. Perdi o norte e passei a vagar pelos dias que se seguiram inevitavelmente. Deixei o luto e a saudade fazerem morada e vivi intensamente a perda do maior dos sentimentos.

O motivo do fim não é relevante agora, o que importa é que ele foi embora e não olhou pra trás, nem mesmo para ter certeza que eu sobreviveria. Talvez porque ele não soubesse se ele próprio passaria por isso ileso. Ele partiu batendo a porta e eu fiquei aqui, recolhendo meus cacos e tentando restaurar o que sobrou do meu coração enquanto ele devia estar fazendo o mesmo. Não estou julgando ou culpando seus motivos, estou apenas lamentando muito o fato de estar fisicamente tão longe dele. Digo fisicamente porque sei que ainda estamos ligados. Ligados por um fio imaginário que nos une onde quer que estejamos. Sinto que ainda estamos conectados e que nosso sinal é forte e continuo. Sabemos que não podemos ficar juntos agora e que se insistirmos nisso acabaremos muito machucados.

Eu tentei ocupar seu lugar com outro alguém em vão. Ninguém é capaz de alcançar as profundezas do meu ser como ele foi. Ninguém pode decifrar minhas nuances como ele fez e nem descortinar meus maiores medos. Ele foi o único de desbravou esses obstáculos com valentia e delicadeza. Ele foi o único. O mundo é que deu suas voltas e nos colocou em curvas diferentes. Não foi escolha minha e nem dele, foi só a vida seguindo seu curso, mas nada disso importa, eu ainda sou dele e ele ainda mora em mim.

Atriz, escritora e paulistana. Acredita que o papel reflete mais do que o espelho. Apaixonada por livros, futebol, tequila, café e coca-cola. Buscando sempre o equilíbrio emocional e histórias inesquecíveis.

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