Foi bom ter você aqui, adeus

LEIA OUVINDO: DANCING ON MY OWN – CALUM SCOTT

Mais uma noite chegou sem a sua presença. E não é uma noite qualquer, é uma noite do dia 16, quando a gente completaria mais um mês de namoro. Mas você foi embora sem dizer o porquê. E sempre que eu busco um jeito para tentar entender o que aconteceu com você, mergulho em um mar de lembranças. Um mar bipolar que hora está calmo e me traz momentos tão lindos da gente e, logo em seguida, aparecem as ondas gigantes para me afogar nas lembranças ruins de tantas brigas.

Quando vi no calendário a data de hoje e notei que você – como nos meses anteriores – não voltou, coloquei aquela playlist de Calum Scott. E mesmo no modo aleatório a primeira música que tocou foi a sua preferida. Dancing on my own, lembra? E doeu. Doeu porque aquele refrão, aquela música, contava exatamente a história da minha vida. “…Eu continuo dançando sozinho”. Eu continuo dançando sozinha enquanto você já parou há muito tempo. E o mar de lembranças voltou na minha mente e parecia que ia me sufocar. Mas nenhum outro dia 16 foi tão difícil quanto esse. É que hoje eu te vi. Te vi de longe passando pela rua com aquele sorriso lindo que eu sempre amei.

Eu sabia que era tarde – já eram 23:50, quase dia 17 – mas larguei o medo, a covardia de te ligar e peguei meu celular… Seu número ainda era o primeiro da lista.

Tu… Tu… Tu… Tu… – a cada ‘tu’ da chamada meu coração se apertava um pouquinho.

Mas você não atendeu.

“Oi, é o Edu! Deixe seu recado após o sinal que eu te retorno assim que…”

E eu desliguei antes que a mensagem terminasse.

Para mim, gravar um recado sem saber se você teria escutado ou se responderia, sem ouvir sua reação, era pior do que receber um “não” ou um “me esquece”, porque eu pelo menos teria escutado a sua voz, e teria tido a certeza de que não existia mais nós.

Então decidi ir dormir – ou pelo menos tentar. Já imagina que não consegui, né? Ainda estava nadando no mar dos meus pensamentos na tentativa de não me afogar. Então eu levantei, peguei o celular e eram 02:00h da manhã. Pareceu que passou uma eternidade… Eu tomei coragem e tornei te ligar. Mas dessa vez caiu direto na caixa postal.

“Oi, é o Edu! Deixe seu recado após o sinal que eu te retorno assim que possível.” Piiii…

– Oi Edu, é a Bia. Talvez você não reconheça mais a minha voz depois de tanto tempo. Ou não. Não sei. Desculpe te ligar, ontem completaram 8 meses que terminamos e você seguiu em frente. Mas eu não. A culpa não é sua, eu sei. Nunca imaginei que ia ligar para você, mas aqui estou… Eu nem tenho o que te falar, para ser bem sincera. Eu te vi na rua sorrindo ontem, exatamente no dia 16. Eu só queria dizer que por mais que tenha passado todo esse tempo, eu nunca deixei de amar você. Eu sinto tanto a sua falta que chega à doer. Você parece estar feliz, e eu estou feliz por você. Queria ainda ser o motivo do seu sorriso, mas mesmo não sendo, está tudo bem. Sei que a ligação foi inesperada e que não tinha porquê dizer tudo isso agora. Mas fico feliz por ter despejado toda essa angústia do peito. Você nem precisa responder isso tudo que eu disse, só queria que soubesse. Beijo, Edu.

Eu consegui dormir depois que desliguei. Parecia que havia conseguido chegar à superfície, e as ondas haviam se acalmado. E eu alcancei terra firme. Ter ido embora de repente fez com que eu tivesse guardado tantas palavras que foi bom poder desabafar. Você seguiu em frente porque ao ir embora sabia o que queria fazer a partir dali. Eu nunca soube. Você nunca me deu essa chance. Eu sempre esperei você voltar. Te liguei querendo conversar e ouvir sua voz, mas acabei conseguindo sair do mar. Chegou a minha hora de ir embora agora. Você já havia partido, eu é que nunca havia percebido. Conversei com sua secretária eletrônica, mas foi bom poder desabafar.

Mesmo que estivesse fora de área. Não só o telefone, mas você também.

Mais uma noite chegou sem a sua presença, só que essa foi a última. Não te disse no recado, mas sussurrei para mim mesma nos pensamentos: “Foi bom ter você aqui, adeus.”.

Eu cansei de dançar sozinha.

E sabe o que notei? Quando a música finalmente acabar e eu conseguir parar de dançar, vou perceber que mesmo depois de ter esperado na esperança das coisas se encaixarem, foi preciso apertar no play mil vezes e cansar dos passos e da melodia até passar para a próxima e conseguir dançar uma nova música. Uma nova história. Um recomeço.


OBS: Queria dizer que chorei escrevendo cada linha desse texto. E que se você que está lendo também sente que está se afogando em um mar, não desista NUNCA de nadar! E relaxa, não demora muito para que você comece a cansar e mude a música.

Libriana de 20 anos que mora na Bahia e transforma em palavras tudo o que sente. Quer me conhecer melhor? Vem ler meu blog: O que sinto em palavras.

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