Como faz para te esquecer, se parte de mim é tua?

Teve uma hora que não deu mais, e eu tive que optar pelo silêncio. Eu fui quietinha para o trabalho, sem som algum, porque a música machucava — de um jeito insano, feliz e masoquista. Eu tentei, sabe? Selecionei modo aleatório pra deixar nas mãos do acaso, mas metade das minhas músicas são tuas. Outro tanto são nossas. E acabei esbarrando numas outras, sem querer, que ouvi contigo. Uma delas, era das minhas favoritas, agora eu já não sei mais. Acho que lacrimejei em meio ao sorriso, mas jamais te contaria isso. Aí eu desliguei tudo e fiquei só ouvindo a chuva bater na lataria do carro, como uma melancolia saudosa. 
O que ninguém me avisou, é que quando tá tudo quieto do lado de fora, o grito do lado de dentro fica ainda mais alto, sabe? Tava ensurdecedor, mas gostei… Sabe quando a gente gosta muito de uma música e fica repetindo até decorar? Ou quando gosta de um filme, de um livro, de um poema e fica ali, repassando cada parte até saber tudo decoradinho? Fiquei assim, relembrando tudo. Detalhes, daqueles bobos até aqueles me deixam da cor daquela camisa que você achou bonita.
Você me abriu os olhos para essas minúcias e, caramba menino!, como colecionei sorrisos e detalhes em tão pouco tempo. Eu tô percebendo todas as minhas (re)ações e, até quando estou sendo eu, tem muito de você. É o beiço mordido no meio de um sorriso, a língua que quer se espremer entre os dentes, os cabelos me escondendo quando eu fico tímida. Como faz para te esquecer, se parte de mim virou toda tua?
Sabe, não podia ser acaso aquela energia bonita que bateu quando te conheci ano passado e eu não minto quando digo que você é uma pessoa incrível, porque você é (e aqui arrisco dizer que ninguém, de fato, te conhece). Você é incrível, doce, brincalhão, tão homem e tão… menino. Dá vontade de cuidar de você, de abraçar você, de mostrar a vida de um jeito leve e despreocupado, de remendar esse coraçãozinho machucado (que você esconde).
O coração tá pequenininho dentro do peito, sabe? E ele se espreme um pouco mais quando percebo essas coisas minhas que são tão tuas. Mas é de um jeito tão lindo e pleno, que mesmo sentindo aquele nozinho na garganta, eu sinto uma gratidão gigante pelas horas mais lindas que passei do teu lado…
Que bom que fomos nós, tão pouco. Que bom que o acaso quis assim.
Engenheira, blogueira, escritora e romântica incorrigível. É geminiana, exagerada e curiosa. Sonha em abraçar o mundo e se espalhar por aí. Vive com a cabeça nas nuvens. É, definitivamente uma colecionadora de amores platônicos e saudades. Nasceu e cresceu no litoral catarinense, não nega a paixão pela praia, pelo sol (e pelo frio) e frutos do mar.

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