[CAPÍTULO 1] Meio, início e fim: Eles deram início sem se preocupar que no meio disso tudo pudesse haver um fim

“Eles deram início sem se preocupar que no meio disso tudo pudesse haver um fim.”

Um mês. Um mês havia se passado e nada parecia ter mudado para ele. Mas para ela, as coisas já haviam se ajeitado. Nos pensamentos dele, ela ainda fazia morada permanente. Enquanto ela havia se esforçado tanto, que esqueceu. Mas ele achou que ainda havia um fio entrelaçado entre os dois. E ligou… sem esperar nada, apenas ligou.

Tu… Tu… Tu…

– Alô!

– Alice, não fala nada, só me ouve por um instante. Eu te magoei, eu sei, mas me arrependo tanto. Minha cama ficou vazia sem você aqui. Meu abraço parece não se encaixar em nenhum outro que não seja o seu. Eu sinto falta de ouvir sua risada. Sinto falta de poder saber que não há nada que aconteça que eu não aguente, porque você estaria ao meu lado. Eu fui fraco, admito. Você ia ficar fora por dois meses para realizar o seu sonho, e eu não aguentei te esperar. Eu te magoei não querendo te magoar. Por favor, me desculpa.

– Oi, Pedro. Confesso que não esperava uma ligação tua… mas já que aconteceu, vamos lá: Seu lado vazio da cama poderia ter sido preenchido pela sua segunda face, né? Você tem tantas… nem sei com qual delas tô conversando agora. É com o Pedro amoroso, apaixonado? Ou com o Pedro que beijou a primeira que passou na frente, logo depois de, como você mesmo disse, eu ter ido realizar meu maior sonho? E a minha risada, ah, a minha risada você pode ouvir agora porquê graça é o que eu acho das suas desculpas tolas. Sim, você me magoou e, olha, fico surpresa em te ver reconhecer isso pela primeira vez na vida. Já que durante todos esses anos de namoro você nunca me pediu desculpas ou reconheceu um único erro.

– Eu me senti abandonado. Eu sentia a sua falta e você não tinha muito tempo para mim. Estava estudando, eu sei. Eu fiquei feliz por ter te visto entrar naquele avião, só não imaginei que seria difícil, após tantos anos, passar tantas semanas sozinho. Eu queria você, mas estava longe demais do meu alcance. Eu nunca vou poder voltar atrás do que eu fiz e mudar o que aconteceu, mas estou aqui agora te pedindo perdão pelo meu erro. Às vezes um amor merece uma segunda chance, não acha?

– Acho, Pedro. O amor sempre merece segundas, terceiras, quartas chances. Infinitas até. Mas você não me ama. Talvez tenha me amado algum dia, mas não mais. Eu também te amei e não sei se ainda amo. Sei que me amo e não posso me esquecer para lembrar de você. Sinto muito. – Tu tu tu tu tu…

E ela desligou. Desligou o telefone e o amor que um dia sentiu. Ela sabia, bem no fundo, que não importasse o quanto ele pedisse desculpas. Ele não ia mudar. Quem ama, sabe esperar. Ele podia derramar quantas lágrimas quisesse por ela, era tarde demais. Ela seguiu em frente e não pretendia mais voltar atrás.

Um ano antes, eles eram tão felizes que ninguém jamais diria que iam acabar separados. Não eram um casal comum, mas combinavam de forma inexplicável. De uma forma bem clichê, tipo feijão com arroz. Se completavam, sabe? Eles se conheceram no primeiro dia de aula da faculdade – e, desde o primeiro dia, sabiam que existia algo entre eles. E então, eles deram início sem se preocupar que no meio disso tudo pudesse haver um fim.

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Oi! Somos duas amigas, Stephanie e Bruna, colunistas do QMT – e, por algum motivo, a gente ama escrever juntas (é isso o que faremos aqui todo sábado). Conheça nossos blogs: O que sinto em Palavras e Palavras e Clichês.

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