Ei, precisamos falar sobre reciprocidade e esse teu par ai

Hey, você. É! Tu mesmo. Senta aí, vamos conversar um tiquinho, meu bem. E olha, posso te adiantar que a conversa pode ser um pouco séria e que não vou te poupar verdades.

Fiquei sabendo que cê tá deixando de se amar por causa de um certo par ai, que está nem ai pr’ocê. Quero saber direitinho dessa história de você estar insistindo tanto numa pessoa que não te é recíproca, de apostar tantas fichas num jogo que, no fundo, cê sabe que vai perder.

E olha, eu acho muito lindo isso de apostar tudo no amor e de lutar por ele, mas acho muito mais bonito quando a gente percebe que não vai dar certo, que, simplesmente, não é pra gente, e desiste.

A desistência é linda, e muitas vezes, mais do que necessária.

Desistir nos leva a ter uma sensação de fracasso, mas olha, pra se desistir de algo ou alguém, tem que ser muito forte, tem que ter um amor enorme e uma tremenda coragem, por isso, não se sinta fracassado por desistir. Desistir é o ato mais genuíno de amor.

E, sinceramente, eu acho que devia ser o seu caso. Eu estou vendo você criando tantas expectativas e construindo e imaginando um futuro à dois com seu par, que, desculpa eu te dizer, mas nem vai acontecer.

Como eu sei?

É fácil! É só perceber o jeito que seu par te trata, é só escutar todos os teus amigos e amigas falando o quanto teu par te faz mal e você, cego, pela sensação de amor absoluto, nem vê, nem acredita, finge que nem escuta. E olha, nem é preciso ter bola de cristal pra ver que você não está feliz de verdade.

E eu posso te comprovar tudo isso que acabei de te falar. Só é você deixar.

Deixa? Jura? Eba!

Agora, eu só preciso que você me prometa que cê vai prestar bastante atenção em tudo que eu te falar e que vai tentar fazer tudo que eu te propuser fazer aqui. Tá bem?

Ahhhh, e também, que vai jurar juradinho de dedinho medinho e tudo que se eu estiver certo, você vai, pelo menos, refletir sobre tudo e que vai tentar sair dessa cilada, pode ser? (Eu to aqui pro que precisar, sempre se lembre disso. Tá bem?)

Então, vamos lá:

Primeiramente, eu quero você pegue uma folha de papel e nele, enumere e escreva, 15 coisas que você já fez pelo seu par durante todo o tempo que vocês estão juntos. Tá fácil, né? Mas continue fazendo e quando acabar, pegue outra folha, e dessa vez, enumere e escreva, 15 coisas que seu par já fez por você, durante todo o tempo que vocês estão juntos.

Ih, tá mais difícil, né?

Eu imaginei que seria mais difícil e demorado.

Sabe por quê? Porque seu par não te dá tanta importância assim e olha, eu nem to falando que relacionamento é moeda de troca ou algo do tipo, longe disso. Mas reciprocidade é uma coisa que deve ter e, que, de maneira nenhuma, deve ser forçada, de nenhuma das duas partes.

Não entendeu? Vou tentar explicar melhor: meu bem, as coisas não estão sendo recíprocas, é como se você estivesse vivendo essa relação, , entende?
ah, mas meu par vive no mundo da lua dele”, mas, e você, cê gosta de estar no mundo da lua do seu par? Gosta de viver uma vida baseada na vida do outro? Gosta de não ser sequer motivo pra uma demonstraçãozinha de afeto que seu par poderia fazer pra você? Se você prefere viver assim, vivendo de migalhas, é uma opção sua, mas eu te digo, do fundo do peito, cê não merece isso.

Desculpa por jogar tudo isso na sua cara, mas foi necessário, mas, não acabou.

Posso te fazer outro desafio? Te prometo que esse é mais leve e vai fechar isso com chave de ouro.

Quero que você pegue um espelho ou qualquer coisa que te reflita bem. Pegou? Ótimo!

Agora eu quero que você olhe bem pra frente. Se veja, se perceba, se questione, consigo mesmo, se está, realmente, feliz. Olhe seu rosto, olhe fundo nos seus olhos. Se toque, toque sua pele. Se sinta.

Te certeza que gosta de se doar tanto e receber tão pouco e ainda assim achar isso “normal”?

Meu bem, eu acho que consegui te provar, da maneira mais fácil do mundo, que você não está feliz. Te mostrando com reflexo e tudo, que você nunca se percebeu e por isso, achava bacana receber tão pouco. Achava bacana, que nem percebia que era tão pouco, tão mísero, tão injusto com você mesmo.

Olha, tenho que te confessar, pra mim está sendo fácil falar tudo isso que acabei de te falar, mas pra ti vai ser e deve já estar sendo um pouco difícil. Mas chama teu par pra conversar, tenta entender os motivos dele pra ele agir assim, vê se ele, realmente, viveu no mundo da lua, como cê mesmo falou. Vê se ele viveu contigo tudo isso que você viveu com ele, e se é assim mesmo o modo dele demonstrar o sentimento dele por tu e o mais importante, se é assim que você quer ser tratado durante todo o tempo que cês passarem juntos.

Perceba se há alguma chance de mudança da parte do teu par. Mas, olha, a mudança que falo, é a mudança partindo dele para ele, porque ele quer e não por estar se sentindo obrigado a isso.

E agora vem a melhor parte. Sim, tem uma melhor parte – e se você refletir sobre tudo que lhe falei, você vai perceber que foi tudo bom.

A partir de agora, não tem “a pior das hipóteses”.

Como assim não tem?

Eu te explico: na melhor das hipóteses, seu par vai mudar por ele e perceber que sempre te deu tão pouco. E também, na melhor das hipóteses, vai vai deixar seu par e perceber que cê merece muito mais. Você vai se tornar tão seguro de si e tão forte, que vai acabar se questionando como ficou tanto tempo com alguém tão fraco de sentimentos e intensidade ao teu lado. Na melhor das hipóteses, cê vai se apaixonar de novo e esse teu novo par vai ter se recíproco em tudo que ofereceres.

Agora, me prometa que cê nunca mais vai se doar por tão pouco novamente, tá bem?

E nunca se esqueça, eu confio e sempre confiei em você e nessa força que sempre esteve dentro de ti e cê nem sabia que tinha.

De Recife, porém, do mundo. Libriano, meio aquariano. Ama o mar, amar e meditar. Apaixonado por suco de uva, sorrisos, meias coloridas e cheiros no cangote.
Adora finais, mas ama recomeços e voltas por cima. Escritor por vida e por decepções alheias. Tem um pé no chão e outro no budismo. Hey, finge que somos velhos amigos e vamos conversar um pouco.

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