Sobre aquilo que não começou, não terminou, mas foi (e é) amor

Estranho falar sobre isso, mas bem, você me pertence. Isso mesmo, você me pertence. Em meus pensamentos, sonhos, e talvez num futuro próximo, mas você me pertence. Já até uni nossos nomes, pena que você não sabe disso.

É esquisita nossa história: não começamos, ou melhor, começamos sim, mas nunca aconteceu nada entre nós dois. Nós não nos beijamos, não usamos alianças, nem nada do tipo, porém, mesmo sem um início efetivo, iniciamos. Naquele dia em que nos vimos e passamos a pensar um no outro. Naquelas brigas sem motivo, bem bobinhas, porém tão sérias. Naquelas esquinas em que você me encontrava abraçando outra pessoa, e seu olhar revelava o ciúme disfarçado no sarcasmo de um meio sorriso. E eu mesmo não sendo parte dos seus dias, acabava por sentir culpa em estar ali, dando espaço à vergonha, e até mesmo ao medo de perder você.

E hoje penso: como perder o que nunca foi meu?

Você me pertence. Desde aquele dia em que carinhosamente abraçou minha cintura e recostou a cabeça em meu peito buscando abrigo. Você me pertence desde que o eu falar de meus ex-crushs é motivo suficiente para te fazer prestar atenção às minhas conversas (com outras pessoas). Você, que nunca segurou minha mão deu conta de segurar meu coração sem nem ao menos pedir permissão.

E podem passar mil anos, incrivelmente eu sei que você sempre me pertencerá, e eu também sempre vou pertencer a você. Eu sei que quando a gente se encontrar os olhos vão se cumprimentar e o silêncio será suficiente para provar o excesso de palavras sufocado em cada um de nós. E sim, eu sei e afirmo: o que para muitos é paranoia, para mim, é amor mal resolvido, caso de acaso, medo de envolvimento, sentimento reprimido.

Lá de vez em quando você volta, e bagunça tudo o que estava organizado. Tira do lugar as certezas, abre as janelas da alma, deixa o sol entrar, e pronto! O espaço é todo seu de novo. E depois de ficar ali bem pertinho de mim, de sorrir, perguntar se está tudo bem e contar um pouco sobre seus dias, você se vai, olhando para trás, e deixando claro que assim como meu coração, o seu perdeu o compasso das batidas, e agora, precisará se recompor também.

Ah se um dia esse nosso negócio que não tem uma data certa porque todo dia é dia de recomeçar, decidir se firmar e virar obra do destino, encontro casual, primeiro beijo. Se nessa história de se encontrar no morro e desencontrar na esquina a gente deixar de fingir que não sentiu falta de conversar sobre o azul do céu que combina tão bem com o preto dos teus olhos. Se no lugar de questões, sorrisos contidos, satisfações dadas em silêncio e declarações sufocadas em meias verdades a gente se permitir abrigar o outro no corpo e na alma.

Quando esse dia chegar, eu prometo te dar todas as flores guardadas em mim, todos os beijos imaginados, todos os versos cantados, todos os passeios idealizados, e até meu sobrenome te dou, afinal, ele também é seu, pena que você ainda não sabe disso.

Ela é a menina que grita em silêncio, e desenha em palavras o uni-verso. A Deus tudo atribui e, dele, tudo recebe. Sempre flutuando em outros mundos, mas com os pés fixos neste aqui. Como canta Ana Carolina: “é que eu sou feita pro amor da cabeça aos pés, e não faço outra coisa se não me doar”.

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