Existe vida após o fim?

Não é a coisa mais fácil e de longe a mais prazerosa, reconfigurar sua vida sem alguém que até então fazia parte de um espaço tão significativo dela.

O estomago dói, como se nada fosse apetitoso o suficiente para nos despertar a fome, qualquer rua, cheiro, cabelo, olhar ou música lembra a pessoa, tudo que você vá fazer vai trazer aquela duvida que irá pairar no ar por algum tempo: como seria fazer isso se ele (a) estivesse aqui?

Você vai sentir uma dor tamanha e um vazio enorme, não tem muito como fugir disso. Seu coração estava acostumado a abrigar alguém, de repente, talvez contra a vontade dele, ele se viu com um espaço enorme vago, o dono daquele espaço foi embora e deixou o cômodo vazio. Você já experimentou falar dentro de um cômodo vazio? Causa um eco gigante, até mesmo um sussurro baixinho parece uma gritaria. É mais ou menos assim que funciona com o nosso coração, qualquer passo dado, qualquer frase dita, qualquer movimento, parece que causa um terremoto, o barulho é maior do que deveria ser a dor então, parece que nunca vai passar.

Mas passa, claro que passa. Como disse lá no início, o que você fará agora é uma espécie de reconfiguração interna, mesmo que tenha sido contra sua vontade esse amor decidiu partir, então, em respeito a você e a tudo de bonito que vocês possam ter vivido, esse sentimento precisa sair dai de dentro. Por hora, os planos que você tem só incluem você, mas sabe, não precisa de mais ninguém, seja para fazer uma viagem, conhecer um museu na capital, viajar de barco ou iniciar um curso de fotografia, não encare pelo lado solitário da coisa, encare pela liberdade de poder seguir seus planos mesmo sem a companhia inicial. Caia de amores por essa sua nova solidão.

Nenhuma dor é eterna, elas amadurecem com o tempo e se transformam em ensinamentos lindos. Tornam-se livros repletos de histórias e sabedorias na biblioteca interna que existe em nós. E esse nó estranho na garganta, essa vontade de chorar a cada cinco minutos, essa sensação de que nunca nada voltará a dar certo, tudo bobagem, tudo isso vai embora antes que você perceba.

Sabe quando você está com uma dor de cabeça chata e enquanto sua cabeça lateja você não consegue pensar em mais nada além da dor, ai você toma um analgésico, vai fazer outra coisa e de repente tcharam, sumiu a dor. É mais ou menos assim, enquanto você estiver sentindo ela, haverá uma sensação de que ela reina em sua vida, não há espaço pra mais nada além da dor, mas ai você toma um remédio, sai com alguns amigos, assiste uma série nova, muda o visual, apaga fotos, continua vivendo e de repente, sem se dar conta, não dói mais. Você nunca irá esquecer, mas pode lembrar sem sentir que será consumida por aquela lembrança.

Só é possível haver recomeços se existir ‘fins’. E alguns recomeços são tão prazerosos que a dor do fim se tornará mínima perto.

Chore o que tiver que chorar, grite e ouça o eco de um cômodo vazio, se entupa de sorvete barato e navegue na categoria de filmes pastelões, sinta o coração na boca quando ouvir alguma música, ouça conselhos de quem te ama de verdade, faça todo o ritual que achar necessário, mas olha só, não maximize a dor tá bem? Não estenda o tempo dela, não se apegue á ela, quando ela estiver partindo diga: obrigado pelos ensinamentos, mas daqui pra frente é comigo. Tenha em mente a certeza de que essa fase vai acabar, e se não for pedir muito, não deixe de acreditar no amor, de acreditar em si mesmo e nem no que a vida irá te trazer no futuro, somente por que um amor não durou para sempre.

21 anos, garota do interior, puxa bem de leve o ‘R’ na hora de falar. Viciada em café recém passado, seriemaníaca de carteirinha, apaixonada pelo céu, pelo Sol, por cachorros e pelo Dan, é claro. E escreve também no “O mundo da Lari”.

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