Eu quis estar ao seu lado mas você não quis estar ao meu

Gostaria que você pudesse se ver da forma como eu vejo. Que pudesse ver seu sorriso de lado, meio aberto, combinando com a camiseta azul e com o cabelo alto, que por sinal fica incrível em você. Gostaria que pudesse ver como seus braços ficam fortes quando você faz qualquer esforço, e bem, particularmente tenho de dizer: isso é lindo, é ótimo pra dizer a verdade.

Seria bom que pudesse ver como seus olhos brilham sob o luar, e como seu corpo esguio cai bem naquele jeans desbotado. Gostaria que você pudesse se enxergar da maneira como eu enxergo.

Se pudesse, lhe emprestaria meus olhos, e também o coração, para que assim você pudesse além de ver, enxergar a si mesmo, e a pessoa incrível que há aí dentro.

Eu quis estar com você. Quis acordar nesses braços fortes e lhe entregar o amor que ainda não dei (e que também não recebi). Eu quis mais que qualquer coisa te encontrar todos os dias e dizer aquelas bobeiras que casais geralmente falam. Quis me esticar para beijar sua boca, e olhar fundo nos seus olhos quando terminasse o beijo. Quis suspirar ao ouvir seu coração bater junto ao meu, e me entregar ao calor do seu abraço. Eu quis estar com você.

Quis lhe ajudar a fazer sempre o máximo, que por sinal é sua especialidade. Quis compreender melhor suas manias, e parar com nossas briguinhas bobas. Quis atravessar o mundo segurando sua mão para que você nunca mais se sentisse só. O problema é que eu tanto quis, que por fim descobri que apenas eu queria.

Você me soltou, fingiu não estar ali, esqueceu-se das promessas, das juras, das entregas, dos olhares, dos abraços… De tudo! Você simplesmente desapareceu, sem deixar rastros de onde iria. Você se foi, todo dia um pouquinho, até estar tão longe que já não se podia mais ver. Você se afastou, e eu não estou falando de corpo, eu falo de alma, de pensamento, eu falo daquilo que não se pode apalpar. Você desviou seus planos para um lugar onde eu não cabia, e no seu mar, percebi não haver farol.

E eu fiquei ali, parada em meio àquela imensidão de sentimentos, palavras e circunstâncias, esperando que voltasse a qualquer instante para me buscar. O problema é que não, você não voltou, e mais uma vez eu tive de aprender a nadar, atravessar o mar, e voltar a caminhar, como se nada tivesse acontecido.

Eu, olhando para o horizonte, tive de encontrar numa linha distante, a proximidade de estar junto a mim (apenas a mim). E nessas ruas, debaixo de chuva, caminhei, tropecei, caí, e por uns dias permaneci caída, torcendo para que alguém lhe contasse sobre minha situação e num ímpeto você percebesse o quanto me amava e fosse lá me resgatar, mas, mais uma vez você não foi. Você nunca foi.

E então eu me sentei, acostumada com a constante tempestade que rondava meus pensamentos falando sobre você, e assim, perdida e com medo, voltei a andar. E nas minhas andanças encontrei com você; mais uma vez vi aqueles olhos escuros que parecem conhecer cada centímetro do meu corpo. Vi aquele ar de superioridade que você carrega nos ombros, e o medo do futuro que esconde no sorriso. Vi de novo a pessoa que eu tanto amei, e como de costume, esperei por uma migalha de atenção que fosse capaz de renovar minhas esperanças. Mas sim, conforme já dito você não foi, você não disse, você não fez, você não.

Eu quis estar com você, mas você não quis estar ao meu lado. Eu quis te entregar meus excessos, mas você escolheu me negar suas migalhas. Que pena rapaz, que pena mesmo; você nunca mais estaria só. Quando não estivesse com minhas mãos em seu corpo, estaria com meu coração atrelado ao seu, e essa é a mais fiel companhia que a vida pode nos dar.

Ela é a menina que grita em silêncio, e desenha em palavras o uni-verso. A Deus tudo atribui e, dele, tudo recebe. Sempre flutuando em outros mundos, mas com os pés fixos neste aqui. Como canta Ana Carolina: “é que eu sou feita pro amor da cabeça aos pés, e não faço outra coisa se não me doar”.
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