Seu coração é uma casa mobiliada que não tem espaço pra mais ninguém

Te conheci a dois anos e alguns meses atrás, foi tudo tão rápido, tão nosso, que quando me dei conta já estávamos compartilhando segredos e histórias de nossas vidas pessoais. Criamos juntos novas lembranças e quando me dei conta, lá estava você fazendo morada em meu coração. Eu te deixei entrar e bagunçar tudo que havia demorado pra organizar e no inicio até achei legal aquela desorganização que meu mundo virou. Era interessante o modo como você me fazia sentir e era incrível como tudo se “ajeitava” quando você me abraçava… mas era destrutivo. Era destrutivo porque por mais imenso que meu coração fosse ele era apenas um e não era capaz de servir de lar pra dois amores. E por mais que você tenha deixado eu entrar em seu coração, você não me deixou ficar, não havia espaço pro nosso amor ali mas eu tentei organizar as coisas pra unir esses dois espaços. Tentei te mostrar como aquela cadeira feita de passado, que ficava ali bem no cantinho do ventrículo esquerdo, não servia mais e que você não precisava sentar nela enquanto ouvia alguma playlist, mas você me pediu pra não mexer. Então tentei organizar e guardar as lembranças que ficavam espalhadas por todos os seus átrios e veias e mais uma vez você me impediu e assim, desse modo, eu percebi que não havia espaço pra mim ali dentro daquele lugar bagunçado mas incrivelmente aconchegante, que é capaz de carregar tantos sentimentos e ainda fazer o sangue pulsar por cada parte desse teu universo particular. Todavia, por mais que eu tentasse me encaixar, eu sempre acabava dormindo na calçada, até mesmo quando fazia frio. Eu já havia feito de tudo por nós, quebrei as paredes internas do meu coração pra tentar reorganizar tudo ali dentro de mim e depois a gente ia dando um jeito, mas você não ficou e não me ajudou a organizar todas as sujeiras que restaram nessa casa que hoje está vazia e ainda te espera.

Ainda toco a campainha e bato em tua porta na esperança que você abra, pois o amor é tolo e não sabe a hora de parar. Pode ser que um dia você acorde e jogue alguns móveis fora e me ofereça teu miocárdio, para que junto ao meu seja nosso lar, mas por enquanto seu coração é uma casa mobiliada que não tem espaço pra mais ninguém (ou para mim).

Quando nasceu, já era verso. 21 anos depois vem se fazendo poesia, se reescreve a cada dia. Ela se doa a cada linha que escreve. Apaixonada por paçoca e frapê de caramelo e por detalhes que a vida lhe proporciona. Cursa psicologia, sonha viver de literatura. Giovanna é poesia rabiscada e relida a cada dia.

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