Por menos palavras repetidas e mais ações novas

Suas mensagens de “a vida importa” apagam as vezes em que você causou uma crise de ansiedade em alguém com as suas palavras ruins? Ou quando você usou todos os problemas de uma pessoa desequilibrada emocionalmente contra ela? Tudo isso ameniza a dor que ela sentiu ao ver suas indiretas zombando dela por aí? Ou quando leu seu texto a expondo? Ou quando você a ignorou quando ela te pediu ajuda?

Será mesmo que mudar a foto do seu perfil é a única forma de conscientizar os outros? Será que suas frases bonitas são capazes de conscientizar a si própria? Quando você implora empatia, algo cresce em você ou sua maldade continua enraizada?

Você notou que suas ações foram umas das 13 razões ou estava ocupada demais escrevendo textões? Pedir para que as pessoas permaneçam lutando apaga um pouco da toxicidade que você deixou que alguém respirasse? Você ainda se gaba por ser a rainha dessa terra de gente vazia ou resolveu deixar a coroa de lado?

Saúde mental importa, sua quantidade de likes não.

É legal ver toda essa campanha de setembro amarelo, mas vocês se importariam, ou pelo menos lembrariam de tudo isso que disseram? Lembrariam bem no mês de janeiro, durante a sua viagem de férias? E se seu amigo te ligasse de madrugada, no meio de uma crise de ansiedade e tristeza? Você realmente largaria tudo para ajudá-lo? No mínimo, você saberia o que fazer?

Sendo muito sincera, todo esse papo de ser forte, resiliente e aguentar a tempestade passar não cola. Aliás, nunca colou. Vai muito além disso. Achar um hobby não é suficiente. Ocupar a mente também não resolve 100% e não venha misturar crenças nessa história. Deus não entra em pauta aqui. Ficar rodeada de pessoas que se importam também não é eficaz.

O que eu queria dizer é que dói e isso quase ninguém entende. Só quem sente. É como uma dor nas pernas. Ou uma dor nas costas. Você vira para alguém e diz que suas pernas estão doendo e todos entendem. Até perguntam onde foi que você arrumou uma dor assim e porquê nas pernas? Aí você conta toda sua aventura do final de semana, da corrida de 17 quilômetros que enfrentou, do mal preparo para a corrida e da falta de treino. Você diz que seu estômago dói, já que exagerou no refrigerante, café e frituras. E logo arrumam um pantoprazol ou uma receita caseira com bicarbonato. Mas, quando você diz que é o coração que tá doendo, ninguém entende. Uai, coração não pode doer? O peito do lado esquerdo não pode apertar? É nessa hora que todos disparam palavras em formas de canhão, que frescura, deixa de drama, coração não doí, não dá pra sentir e vê se levanta dessa cama, vá fazer algo da sua vida.

O coração pode doer. A perna pode bambear. Os pulmões faltam ar. O mundo gira mais rápido do que minha mente consegue acompanhar. Se o seu coração não doí. Que bom. Que alivio. Só não fala daqueles que doem, se você nunca sentiu.

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Esse texto foi escrito em trio, sabia? As autoras dele são: Bruna Frotté (Palavras e Clichês), Deborah Sequeira (Duzentas Linhas) e Mari Guimarães (1 Quarto de Café).

23, mineirinha que vive no Espírito Santo. Vivo com a cabeça na lua, com os pés em Marte, mas o coração mora em Saturno, rodeado por anéis que a protegem do excesso de sentir. Tem coração que bate. O meu, escreve. Conheça meu blog também: 1 Quarto de Café

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