Você ainda me amaria se eu não florescesse?

Eu ganhei do meu noivo há algumas semanas um girassol plantado em um vaso, ele durou uns três dias, e pela correria da minha rotina, não consegui cuidar direitinho dele e quem sabe mantê-lo florido por mais tempo. Neste fim de semana, ao ir molhar as minhas plantas, notei que ele havia morrido e secado de tal forma que era até impossível reconhecer que um havia existido ali um lindo girassol.

Mas existiu, a essência e a luminosidade estiveram ali, a cor vibrante, a fragrância, a formosura, tudo esteve ali, os detalhes que nos tornam apaixonados pelo girassol, que me fazem ser apaixonada por girassóis e fizeram com o meu noivo me presentasse com um, por saber que eu ficaria feliz em ganhar, tudo ainda estava ali.

E ao mesmo tempo não estava, tinha murchado e se tornado algo escuro e triste.

Na hora pensei em jogar fora a planta, guardar o vasinho e seguir com a vida, mas ao abrir a tampa do lixo e avaliar minha ideia de jogar algo apenas por não estar mais tão bonito e alegre, e que não iria mais cumprir a função que eu pensava que ele deveria cumprir, no caso alegrar minha casa e perfumá-la, me senti extremamente egoísta e maldosa por pensar aquilo e voltei o girassol pro lugar dele, pedi desculpas pelo pensamento egoísta – sim, eu sou dessas – e fui fazer minhas coisas.

É claro que as plantas murcham e morrem, algumas mais rapidamente, outras demoram mais, e obviamente você não é um ser desprezível por descartar uma planta que secou e utilizar o vaso para plantar outra coisa, mas partindo para a analogia da coisa – porque eu amo uma analogia – se analisarmos que neste caso a planta seria uma pessoa, ai podemos entender com mais facilidade o quão ruim é a ideia de descartar da nossa vida alguém porque simplesmente não nos serve mais.

Você ainda acharia um girassol lindo e incrível se ele não fosse mais tão brilhante e vivo? Você ainda amaria uma pessoa se ela não tivesse nada de bom momentaneamente para te oferecer? Você ainda amaria alguém se ela não estivesse mais tão florida assim?

Às vezes percebo que estamos tão preocupados em ter por perto de quem tenha algo de bom para oferecer, que nos esquecemos de oferecer algo de bom para quem não tem nada para nos dar em troca. Relações, e falo aqui de amizade, família, relacionamentos, não são descartáveis, não nos livramos das pessoas quando elas estão passando pelo inverno da vida, ficamos ao lado delas, emprestamos um pedaço do nosso cachecol e fazemos um chocolate quente. Não vamos embora quando a pessoa iluminada e feliz que conhecemos está passando por um período de escuridão e tristeza, ficamos ao seu lado e dividimos nossa luz, nossa alegria e torcemos para que ela volte em breve a brilhar sozinha.

Não partimos em busca de um novo girassol na prateleira da floricultura apenas porque o que temos não está mais tão formoso e colorido assim, lutamos por ele, o regamos, o deixamos tomar aquele Sol mais tranquilo de depois das 17:00, fortalecemos sua raiz. Não desistimos das pessoas quando elas estão vivendo períodos difíceis e se sentem perdidas, nós acolhemos, buscamos uma direção juntos, continuamos enxergando vida e alegria nelas, porque tudo que ela tem, continuam ali, mas por hora ela não enxerga e não consegue expressar.

Fui imprudente e deixei meu girassol morrer, não havia como ele reflorescer mais, mas, por sorte, as pessoas não são plantas e se há alguém perto de você perdendo a cor e a beleza de viver, faça tudo que estiver ao seu alcance para que ela encontre de novo. Não vá embora da vida de alguém apenas porque no momento ela não consegue florescer.

21 anos, garota do interior, puxa bem de leve o ‘R’ na hora de falar. Viciada em café recém passado, seriemaníaca de carteirinha, apaixonada pelo céu, pelo Sol, por cachorros e pelo Dan, é claro. E escreve também no “O mundo da Lari”.

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