Palavras não ditas

hugo ribas amor nao dito

Acusado de não amar
Optou pelo último grande ato
Aquele, cujos corações derretem-se todos, apaixonados…
Escreveu uma carta.

E escreveu com dor.

Um gesto nobre, o último suspiro
Do amor não revelado
Que aos poucos se quebrava
E morria… E morria…

Não sabia lidar com essas agonias finais de amores prestes a morrer.

Depositou nas linhas vazias
Palavras não ditas pelos olhos de medo
E jurou entregá-las
A quem amava…

Entregou. Estava cheio de ilusões infantis.

E o amado,
Enterrado em suas dores
E curas mal curadas
Não quis ver,
Nem quis saber…
O que são cartas?
Cartas… Nada mais que covardias
Palavras medrosas,
Fragilidades
e sentimentos requentados
mornos…
Covardias.

Acovardado, entendeu que amor não dito, é amor maldito.

Então, o acusado de não amar
Recolheu a carta perdida
Engoliu, com amargura, aquele tal amor não dito
Só escrito.
Partiu…
E as palavras gravadas no papel?
Nunca se soube o que diziam.
Não foram lidas.
Restou apenas a partida
E arrependimento todo amargo,
áspero, cru, cáustico.
Mal dito.

Pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e escritor se fundem no que ele escreve. Conheça o blog: www.hugoribas.com.br

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