O problema não sou eu

hugo ribas o problema nao sou eu

Olho para trás e vejo que acabei me acostumando com o papel de culpado. Isso foi acontecendo aos poucos, sem que eu pudesse evitar. De repente, quando eu me dei conta, todas as culpas do mundo já estavam muito bem encaixadas aqui nos meus ombros.

Retirá-las não é tarefa fácil.

Essas culpas estranhas e absurdas moldaram o meu jeito de ser e se apropriaram da minha identidade.

Pode ser meio difícil de entender, mas eu explico: É como se eu não soubesse ser outra pessoa a não ser esse cara que se sente culpado por tudo. Aquele que sempre faz as coisas erradas, que machuca as pessoas, que decepciona todo mundo, e que não é capaz de corresponder as expectativas de ninguém.

Complicado isso né?! Mas se você parar pra pensar, isso acontece com todo mundo. Assumimos identidades e papéis que, muitas vezes, não tem nada a ver com o que somos de verdade. Papéis que os relacionamentos nos impõe. Papéis que nos protegem das dores.

Papéis… Inúmeras camadas de papéis… E máscaras… Algumas confortáveis, outras nem tanto.

Eu não escolhi a culpa, disso eu tenho certeza. Ela me foi imposta aos poucos, como uma pequena dose diária de veneno, misturada à uma sopa muito saborosa. Entre frases de amor e amizade, havia sempre uma palavrinha tóxica disfarçada de carinho. E eu me deixei levar, sem perceber.

Fui bobo, eu admito. Mas quem nunca passou por isso?! Às vezes a gente se envolve com alguém que sabe muito bem como encantar. Alguém que sabe dizer a coisa certa, na hora certa… É quase impossível não se deixar levar. E depois de um tempo, quando o encanto começa a se dissipar, você enxerga a enorme ausência de qualquer tipo de afeto. Aquela pessoa que entrou na sua casa, na sua vida e até mesmo na sua alma, era o próprio veneno disfarçado de doce.

Voltar atrás é impossível. Desfazer o estrago psicológico é questão de tempo. As marcas deixadas são extremamente profundas…

Recuperar-se é questão de reinvenção.

Não dá mais para continuar assumindo essas identidades que não são minhas. Identidades tóxicas. Frases que me fizeram acreditar que “o problema sou eu”.

Quantas vezes você já ouviu isso?! Quantas pessoas por aí já apontaram o dedo para você, afirmando que você era todo errado. Quantas pessoas já tentaram te encaixar em papéis que não tinham nada a ver com você?!

E quantas vezes você já permitiu que isso acontecesse?!

Olho para trás e vejo que dei importância demais às opiniões equivocadas a meu respeito. Percebo que julguei como verdade, o que não passava de uma bela mentira. Um engano.

Invejas disfarçadas de admiração. Competições disfarçadas de companheirismo. Desrespeito disfarçado de amor.

Olho para trás e concluo que o problema não sou eu. Talvez o problema seja os olhos de quem se acostumou a me enxergar dessa forma tão torta. Talvez o problema seja a mão de quem me obrigou a engolir tantos venenos e tantas palavras que me feriram profundamente.

Então fica aqui um pedido: Antes de acreditar que o problema é você, olhe para trás e observe todos os fatos com uma certa frieza e pensamento crítico. Você vai se surpreender.

E para você, que gosta de intoxicar os outros… Vê se para com essa mania de querer moldar as pessoas. Seja feliz. Gente feliz não dá trabalho, ok?!

Pisciano, escritor, leitor e também uma metamorfose ambulante. Adora se perder em sentimentos escritos e nem sempre consegue se encontrar em suas próprias palavras. Personagens, narrador e escritor se fundem no que ele escreve. Conheça o blog: www.hugoribas.com.br

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