A vida sempre valerá a pena se for dividida com alguém

No meio ao emaranhado de leituras que fiz nos últimos meses, Clarice, Dostoiévski, Bauman, eu me pego pensando como será quando formos lançados ao nada. Quando formos esquecidos ou quando nos tornarmos um simples planeta- anão, como Plutão. Eu me pergunto: essa vida, eu estou vivendo de verdade?

Por mais que existam pessoas que acreditem em outras vidas, encarnações, ou em um plano cósmico, é necessário entendermos que seremos nós só nessa vida. Só aqui, na Terra, nesse plano. E o que a gente está fazendo para vivê-la de verdade? Eu sei que nos cobrimos de medos, de ansiedades, de um bocado de problemas que faz a gente querer fugir para outro universo, mas estamos nesse, felizmente. Por isso precisamos mesmo com medo, ir em frente. (Isso assusta bastante, né?!).

Nesse percurso encontramos pessoas que fazem valer a pena viver a vida nesse universo. Me assusta o fato de ter que, mesmo sucumbindo de medo, seguir caminhado nas ruas que a vida faz a gente conhecer, porém, me assusta mais ainda pensar no fato de eu não ter nascido nesse universo e não ter conhecido aqueles que enchem essa existência de encanto. Se eu tivesse me tornado um asteroide, eu não saberia o quão maravilhoso é ler Drummond. Se eu tivesse nascido como um anel de Saturno, eu não saberia a felicidade que tenho ao dividir minhas filosofias sem sentido com alguém que coexiste dentro da mesma intensidade que eu levo a vida nesse plano.

Esses dias eu li uma matéria que dizia que astrônomos brasileiros descobriram um anel em um planeta vizinho de Plutão. E, eu, como tenho ascendente em Peixes, possuo uma imaginação que voa além das matérias e textos que leio, então, acabei pensando “já pensou se eu tivesse nascido nesse planeta vizinho de Plutão, na forma desse anel?” Cheguei à conclusão que fico grata (e suspiro aliviada) por ter nascido nessa dimensão, porque essa vida eu busco sempre vivê-la de verdade. Além disso, suspiro aliviada, porque quando a gente divide, verdadeiramente, cada espaço de nós com alguém, cada vontade, cada sentido, a gente percebe que se, por um acaso, tivéssemos nos tornado “outros eus” seria impossível sentir as particularidades dessa nossa permanência na Terra.

É como aquele verso do Liniker, em uma das minhas músicas preferidas, “no compasso do que faço, aperto o passo, encontro o teu jardim”, mesmo sem nome, mas com endereço, a gente encontra razões para prosseguir, mesmo com o passo apertado, no fim a gente encontra o jardim em alguém e faz dele um lar. Para mim isso vale mais a pena do que ser uma estrela cadente ou morar em outro universo.

Quando formos lançados ao nada, ou virarmos um planeta-anão, precisamos enxergar a gente viveu essa vida de verdade por causa da nossa coragem e por causa de quem fez a gente transbordar gratidão aqui, na Terra, nesse plano.

 

Ela tem o riso frouxo. Apaixonada pela delicadeza das coisas simples, por livros, pela a arte, flores, pizza e café com leite. Encontrou na escrita a melhor forma de expressar sua sensibilidade. Descobriu que a beleza não mora nos espelhos, da mesma forma como a arte não mora nas molduras. Ama pessoas que gostam de conversar e procura sempre a poesia que vive dentro de cada ser.

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