Eu podia começar esse texto de uma forma bonitinha e emperiquetada, mas prefiro ser realista e te dizer, na real, que, às vezes, é preciso saber desistir. E eu te explico melhor a seguir:

A gente tem uma mania chata de permanecer em lugares que não nos fazem bem, né? É o trabalho que tá chato, mas só tem aquele. É o namoro que tá morno, tá chato, mas ficar só é desesperador demais. São os amigos de anos que são cuzões, mas são amigos de anos, né? Vivemos tão presos na teoria ou no medo de não ser só, que nos adaptamos à coisas e pessoas que não precisam estar ao nosso redor.

Repita todos os dias “que eu deixe ir o que não me faz bem”, repete mesmo, quando acordar, na hora do almoço, no banho, quando tu se olhar no espelho. Torna essa frase um mantra pra você.

Ou então, continua não desistindo e aceitando tudo que te derem. Todas as migalhas que te jogam. Tu é realmente feliz com as coisas poucas que tu recebe? Tu é realmente feliz ou finge uma felicidade que não existe? Uma felicidade que tu mesmo cria pensando que não pode ser feliz de verdade.

Certas coisas não nos cabem e a gente tem que aceitar isso. Algumas pessoas são tipo um sapato 36 e tu calça 42, nunca vai caber, e se couber, tu vai terminar o dia cheio de bolhas no pé. A não ser que tu seja sadomasoquista ou goste de sentir dor, tu vai ser sincero com você e vai cair fora. Joga esse sapato pra bem longe, não tente se adaptar à tudo, nem todo mundo merece a nossa adaptação e a gente só descobre isso na marra, quando alguém cutuca fundo a nossa mais delicada ferida.

E deixa eu te dizer, não tem problema nenhum em desistir das coisas que nos machucam, das pessoas que nos ferem, do trabalho que só tá consumindo teu juízo, dos teus amigos de anos que só querem se aproveitar de você. Não tem problema nenhum em tu pegar tuas coisas e ir embora, desde que tu conte antes que tá indo (responsabilidade afetiva e geral é sempre bom em todo caso de desistência), que cansou, que não aguenta mais. Tu pode desistir de tudo, menos de você. E sabe porquê muitas vezes a gente desiste da gente? É justamente por a gente aceitar tudo que nos dão, tudo que nos fazem acreditar que a gente merece, as vezes a gente recebe tão pouco e acha aquilo o máximo, porque nos fizeram acreditar que aquilo era o máximo, é porque ninguém ainda teve a audácia de mostrar que a gente pode e merece ter muito mais. Pense fora da caixa. Deixe as oportunidades aparecerem. As vezes, tu deixa de conhecer pessoas e coisas maravilhosas apenas pelo fato de tu estar focado numa coisa que te fere, que te machuca. Não deixe só de pensar fora da caixa, como te falei, seja mais “louco”, saia da caixa. O mundo é tão grande pra gente ficar preso a uma coisa tão pequena, né?

A gente cresce ouvindo de todo mundo que quem desiste é fraco, é quem não tem forças, mas deixa eu te dizer uma coisa, pra se desistir de algo, a gente tem que ter uma força do caramba, tem que ser muito forte pra admitir que algo não tá nos fazendo vem e procurar algo novo. O novo sempre assusta. E eu espero que você esteja preparado pra invadir o novo. Pra conhecer coisas novas, pessoas novas, situações novas. E que essas coisas, pessoas e situações novas, te sejam recíprocas, te tragam o que as coisas antigas não te trouxeram e que tu tenha coragem suficiente pra desistir delas se elas não te fizerem bem também. Só promete pra tu que tu nunca vai desistir de tu.

É uma última coisa, se não faz bem e você percebe isso, deixa ir, sai de perto, desapega, deixa fluir o que não te faz bem e te garanto que tudo vai ficar bem. Eu sei que é difícil, que não é de uma hora pra outra, mas você tem que escolher entre ser egoísta com você ou com o outro. Posso te dar uma dica? Pense primeiro em você. Você só pode ser massa pro mundo, se você for, primeiramente, massa pra você. Deixa ir o que não te faz bem e fica bem. Tá bem?

De Recife, porém, do mundo. Libriano, meio aquariano. Ama o mar, amar e meditar. Apaixonado por suco de uva, sorrisos, meias coloridas e cheiros no cangote.
Adora finais, mas ama recomeços e voltas por cima. Escritor por vida e por decepções alheias. Tem um pé no chão e outro no budismo. Hey, finge que somos velhos amigos e vamos conversar um pouco.

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