Nem vem que eu sou bem louca!

Isso mesmo que você acaba de ler, nem vem. Nem vem mesmo, entende? Se for para chegar com medo, na ponta dos pés, sem fazer nem um movimento brusco para não amassar a camisa bem passada, nem vem. Fica aí onde você está mesmo.

Não tenho paciência pra frescuras; desculpa, mas é verdade. Não dá para conversar com gente que mede cada palavra antes de pronunciá-la. Gente que pensa milhões de vezes antes de dizer sim ou não com medo de errar. Eu nasci errando e vou terminar a vida em erros. Afinal, você já viu alguém que cresceu na vida sem primeiro pisar em falso? Não, né? Pois bem, foi vendo isso que eu percebi que erros não são o fim da estrada, na verdade, eles são o início de uma nova era. O que muda o futuro não é a queda, mas sim a sua decisão entre permanecer no chão ou voltar a caminhar, mesmo com as pessoas rindo de você.

É, você já percebeu que eu sou faca na caveira. Sou dessas que faz o circo pegar fogo e toma uma Coca-Cola enquanto aprecia as chamas. Mas fique tranquilo, caso você não dê conta do incêndio, eu mesma apago. Sou guerra, fogo, gritaria, explosão, mas também sou a paz de um domingo à beira da lagoa. Não pense que uma barreira é capaz de me parar; já pulei os muros da vida, rapaz, e hoje em dia derrubo os de concreto.

Eu sou daquelas que geralmente você vê nos filmes, que numa cena aparece de vestido, maquiagem e salto alto, e na outra já está com calça camuflada, regata e o cabelo preso. De manhã sou princesa, e ao meio-dia já volto a ser guerreira. Durmo numa bolha cor-de-rosa e acordo pintando o sete com toda e qualquer cor que encontrar.

Rapaz, antes de atravessar a rua para chegar onde eu estou você precisa compreender que eu não sei, não quero e não vou ser como tantas outras meninas que você conheceu por aí. Não, não mesmo. Se você pensa que vem cheio de marra, vai aprender comigo o que é ser marrento. Se durante esses anos todos pensou que sabia controlar as palavras dos outros, conversando comigo vai descobrir que não tem controle nem sobre as suas. Sou mais vivida que você, mais esperta que seus amigos, mais macho que muito homem.

Nem vem que eu sou bem louca! Passo meu batom vermelho para ir à padaria da esquina e vou só de gloss pra balada; Saio de shortinho no inverno, e de calça jeans no verão; troco meu almoço por bolacha e depois digo que estou com fome. Falo sozinha, e respondo minhas próprias perguntas, e depois de respondê-las questiono comigo mesma a veracidade da resposta. Fico olhando o céu à noite e tentando contar as estrelas, e no meio da conta me perco por lembrar que ainda não escovei os dentes.

É rapaz, eu sou diferente, talvez diferente até demais. Porque eu sou louca ao ponto de esquecer de mim para cuidar dos outros. Sou capaz de passar o dia todo sem comer para te ajudar a solucionar os seus próprios problemas. E se você não dormir devido à ansiedade pelo resultado do vestibular, eu passo a noite fazendo palhaçada para que ao menos você esteja feliz, já que estará acordado.

Comigo você nunca se sentirá entediado. Eu canto, danço e assovio. Isso não significa que eu saiba fazer essas três coisas, mas que faço, faço. E sou cheia de assuntos. Vou da II Guerra mundial ao signo de virgem em segundos, e depois volto à guerra como se nada tivesse acontecido. Rio sozinha, lembrando que a minha amiga tropeçou perto do crush e deixou o copo cair quase em cima do pé dele, e se você perguntar qual o motivo da risada, eu vou rir ainda mais. Tomo café na xícara do chá, e refrigerante na de café. Pinto as unhas de azul, e se não gostar, espero secar e troco tudo para vermelho, porque não sou obrigada a permanecer com uma cor da qual não gostei.

Eu sou falante, escandalosa, expansiva e apaixonante. Sou aquele tipo de pessoa que de forma alguma vai passar pela sua vida sem deixar marcas. Pode acreditar, querendo ou não, você sempre vai lembrar de mim e do meu jeito único de levar a vida.

Sou bobona, cheia das ideias e meio esquisita. Eu sou daquelas que como diria minha avó “faz coisas que até Deus duvida”. Eu sou um poço de qualidade e defeito que varia de acordo à água que você acumula com o passar dos dias. Eu sou tudo isso e mais uma porção de coisas que não dá nem para descrever.

É rapaz, é isso aí. Eu quero que você me dê à mão, feche os olhos e permita que eu te leve pelos caminhos que aprendi. Nem todos serão floridos, claros e frescos. Não. Haverá alguns bem brabos, com rochas, buracos e lama, mas posso garantir que estes serão os mais divertidos e edificantes para nós dois. Mas rapaz, preciso lhe dizer: se for para vir e tentar pôr limite à minha falta de medo da vida, então nem vem, que eu sou bem louca.

 

Ela é a menina que grita em silêncio, e desenha em palavras o uni-verso. A Deus tudo atribui e, dele, tudo recebe. Sempre flutuando em outros mundos, mas com os pés fixos neste aqui. Como canta Ana Carolina: “é que eu sou feita pro amor da cabeça aos pés, e não faço outra coisa se não me doar”.
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