[Encontramos-nos de novo] Depois de tanto tempo, você surgiu na minha frente com um rosto bem mais leve do que quando partiu. Meu coração gelou e a minha boca ficou seca ao te avistar vindo em minha direção.

Eu confesso que sentia uma saudade danada daquele abraço que durante anos foi a minha melhor morada. Iniciamos um tímido papo e notei risadas em algumas partes da conversa. Lembrei que no final do nosso namoro já não conseguíamos fazer isso juntos e sozinhos.

Meu coração gelado apertou. Deveríamos ter tentando mais um pouco? Talvez tenha nos faltado paciência. Talvez tenha nos faltado um pouco – só um pouco mais – de cuidado. ‘Talvez’ virou as minhas certezas de cabeça para baixo naquele instante.

Crescemos juntos. Fizemos boas coisas juntos. Éramos os namorados com futuro planejado e dedicados a enfrentar tempestades pelo outro. Mas, acabou. Acabou e a gente nunca soube ao certo explicar o que pesou pra ter acabado. E as pessoas até hoje não acreditam que acabamos algo que, para elas, sempre foi tão lindo e especial. E ainda é.

Nossa amizade, respeito e carinho continuam intactos. Por isso meu coração ficou pequeninho naquela tarde em que nos reencontramos depois de tanto tempo. Sem cicatriz, sem mágoa e sem tristeza. Por isso deixei-me ser beijada anulando as minhas regras para lidar com um ex-namorado.

Fomos pra cama. Nos deliciamos e matamos por várias vezes, durante poucas horas, a saudade. Falamos até das nossas aventuras amorosas depois do nosso término. Contamos como foi difícil, doloroso e frio se readaptar a sermos um só. Engraçado como até no rompimento você me ajudou a crescer como pessoa.

Depois de uma tarde maravilhosa, nos despedimos de novo, culpando o acaso pelo reencontro, por vezes desejado. Ao olhar para tudo que passamos, percebo que o nosso amor é tão estranho e louco, mas ainda assim tão amor, que terminar foi uma forma da gente proteger o sentimento de nós mesmos.

Por isso, ainda bem que a gente não se pediu pra voltar. Deixemos as coisas como estão e ao acaso das surpresas dos encontros. E dos reencontros, também.

Baiano cá do recôncavo. Vizinho de Edson Gomes, Sine Calmon, fã de Dona Canô e dos filhos que ela deixou no mundo. Aspirante a jornalista e sonhador de um mundo melhor. Tem axé correndo no sangue e, entre acarajé e sushi… Ele fica com os dois.

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