Dentre as milhares de definições que eu já li sobre o amor a que mais me incomoda é a que fala que para ser um verdadeiro amor, é preciso sofrer ou é necessário sentir dor. Eu não consigo concordar com tais afirmações, acho maldade demais com o coração você ter que considerar sentir uma dor em nome de um sentimento que não é sinônimo de sofrer (que o Zé me perdoe).

Nós precisamos desmistificar essa ideia de aceitar sofrimento e de que dor e amor podem ser usados na mesma frase, porque uma das mais bonitas definições que já li sobre o amor é que ele é gentil e oferece abrigo para os dias em que a tempestade está forte demais para se aguentar sozinho. Por que um sentimento gentil aceitaria doer? Creio que a única dor que pode ser aceita é aquela que a gente sente quando está longe de quem amamos, porém, no fundo temos o aconchego de saber que chegará o dia que a distância se encurtará, então tá tudo bem. É a única exceção aceita!

É por isso que acima de tudo precisamos ter honestidade. Honestidade para enxergar que a partir do instante que estamos em qualquer relação e começamos a nos culpar por coisas que não estão ao nosso alcance, é necessário dizer um “até breve”, porque culpa e amor também não são sinônimos. Ser honesto com o nosso tempo, com nós mesmos, isso não é egoísmo, é o amor que a gente desenvolve por nossa própria história. É isso que o amor quer da gente!

Eu sempre acreditei na mansidão do amor, sabe?! Sempre foi uma das minhas mais fortes teorias sobre os sentimentos. Mas, um dia desses, eu estava conversando sobre isso com uma pessoa que tem um pedaço grande do meu amor/afeto e ele disse que “o amor pode florescer no caos, também”, eu nunca tinha enxergado por esse ângulo, creio que pode sim haver caos, mas precisa ser um caos organizado, um caos que tenha apenas um emaranhado de sentimentos bons, uma bagunça de afeto e vontades mútuas. Porém, que não seja um caos responsável em desordenar o amor e que também não seja um caos que machuque ou cause dor.

O seu bem-estar sempre dependerá de você mesmo, seu respeito consigo precisa transbordar, porque os relacionamentos só podem ter um início se forem para agregar coisas boas, nada de dor, nada de machucados. Nosso coração precisa respirar em um ambiente que só nos traga um amor verdadeiro, longe de maldades.

Todos nós carregamos traumas, mas que eles nunca sejam capazes de fazer a gente desistir de sentir, de querer enxergar além das fronteiras. Apesar de eu discordar do Zé Ramalho quando ele diz que “sinônimo de amar é sofrer”, na mesma canção ele fala que “sinônimo de amor é amar”, nisso eu concordo, porque o amar e o amor sempre combinarão na mesma frase, é algo simples e distante da dor.

Que a gente sempre seja capaz de abraçar um amor saudável.

Ela tem o riso frouxo. Apaixonada pela delicadeza das coisas simples, por livros, pela a arte, flores, pizza e café com leite. Encontrou na escrita a melhor forma de expressar sua sensibilidade. Descobriu que a beleza não mora nos espelhos, da mesma forma como a arte não mora nas molduras. Ama pessoas que gostam de conversar e procura sempre a poesia que vive dentro de cada ser.

Comments

comments

One thought on “Que Zé Ramalho me perdoe, mas o sinônimo de amar não é sofrer”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *