Tu és feliz ou só sorri?

Puxei a carteira da bolsa e entreguei o ingresso ao segurança juntamente com minha identidade. Ele olhou, fez uma cara de desconfiado e depois de muito delongar, finalmente me deixou entrar. Essa carinha de 15 anos sempre me causando problemas e me deixando em situações constrangedoras, mas o importante é que entre uma piadinha e outra eu estava lá, com quase 22 anos na minha primeira balada, me divertindo (ou o mais próximo disso). Pela primeira vez na vida fui experimentar o gostinho dessa vida que todos julgam ser tão boa. E de fato, era.

Caminhei de um lado para o outro e quando me dei por conta a música já havia tomado conta de mim. Uma mão para o alto, a outra segurando a bebida na altura da boca e antes do último gole lá estava eu na fila para mais um round. Fiz amizades mais verdadeiras em cinco minutos do que em toda a minha vida. Ri da forma mais sincera e descontrolada que já fui capaz de imaginar. Bebi, dancei e gritei com pessoas desconhecidas, mas que ao mesmo tempo se pareciam tanto comigo, pareciam estar sentido o mesmo que eu e na mesma intensidade. Cada sorriso, cada feição feliz parecia clamar por socorro e eu me perguntava se era a única a perceber essa mensagem oculta em seus rostos, se eu era a única a me perder entre um pulo e outro para observar os sorrisos tristes presentes ali, e eu não entendia o porquê, afinal, eu também estava feliz, não?

Estava feliz sendo usada por caras que amanhã nem iriam lembrar meu nome. Estava feliz com a dor de cabeça que já não me deixava enxergar direito. Estava feliz, não estava? Com aquelas mãos em volta da minha cintura que seguravam, apertavam e não se afastavam por nada. Com a música da qual  eu nem sabia a letra, mas mesmo assim fazia questão de cantar. Com aquele copo que era abastecido regularmente por pessoas desconhecidas e que sempre se achavam merecedoras de algo em troca. Estava feliz por estar completamente triste, devastada, acabada e mesmo assim conseguir sorrir. Por esconder quem realmente eu era e o que sentia para me encaixar nas noites de… Pura alegria.

Já em casa, deitada e observando meu teto estrelado, eu não enxergava mais as mesmas constelações de sempre. Acho que a minha capacidade de observar as melhores coisas da vida se perdeu quando eu passei a não acreditar na felicidade vista por ai. Passaram a ser só estrelas, só pessoas, só olhares e  sorrisos que ao se encontrarem sozinhos, choram, ou porque são tristes, ou porque não aguentam mais serem felizes. Choram cansados de sorrir enquanto transparecem no olhar aquilo que quase ninguém consegue enxergar, sentir!

Mais uma adolescente vagando pelo mundo com o desejo de tocar o coração de alguém com palavras simples, fortes e verdadeiras.
Apaixonada por café e leitura, sigo o meu caminho escrevendo minha própria história, ou a sua, ou a de qualquer pessoa que me faça sentir!

Comments

comments

Talvez você goste de...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *