Até quem me vê na padaria sabe que eu não te esqueci

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Enquanto eu forço sorrisos para desconhecidos na rua. Enquanto visto minha roupa preferida para sentir que pelo menos o meu externo está em ordem. Enquanto finjo já ter me esquecido das coisas que lembro toda vez que acordo e quando vou dormir. Enquanto digo que estou feliz e já superei. Há uma inquietação que me consome por dentro. E eu posso continuar fingindo, acho que a maioria das pessoas fazem isso e vivem bem assim. Fingem ter superado sentimentos que às sufocam diariamente. Eu posso continuar fingindo. Mas não adianta muito, pois até quem me encontra na padaria com sorriso forçado, um vestido bonito e uma tristeza estampada no olhar, sabe que eu não te esqueci.

Até quem troca cinco minutos de conversa comigo no ponto de ônibus percebe que estou engolindo essa vontade gigante de falar seu nome. Até quem me encontra numa festa qualquer indo de abraço em abraço, sabe que eu estou ali pensando que posso encontrar algo que me ajudasse a esquecer você.

Você disse para eu ir embora, conhecer outras pessoas. Fazer novos planos, mudar o corte de cabelo e trocar as cortinas do quarto. Garantiu que com o tempo eu esqueceria, era só deixar ele passar que tudo daria certo. Eu fui. Fiz isso tudo aí. Mas enquanto me abrigava em outros abraços, beijava outras bocas, trocava a cortina do quarto e cortava o cabelo na altura dos ombros, eu me lembrava de você. É como se tivesse se tornado parte de todos que cruzaram meu caminho depois de te conhecer. E o que eu faço agora? Volto pra você e digo que fracassei ou volto pra mim e tento mais uma vez?

Quem sabe um outro amor, um outro perfume parecido com o seu ou alguém que me faça despertar e perceber o quão insignificante fui na sua vida, me ajude a cicatrizar essa saudade dolorida e os inúmeros pensamentos de algo que poderia ter acontecido. Talvez dançar até meus pés doerem e beber até trocar seu nome por outro, quem sabe provar mais algumas bocas parecidas com a sua e sentir sensações que nem mesmo você foi capaz de me proporcionar.

Eu só sei que cansei de pensar nos “e se”, cansei de olhar o celular a procura de alguma mensagem sua dizendo que foi tudo um mal-entendido. Cansei de caminhar nesse campo minado de lembranças onde você me deixou sozinha cheia de sentimentos mal resolvidos, enquanto voava para longe com suas asas de cera. Mas quem sabe – e só quem sabe – um dia você se aproxime de um outro alguém que voe mais alto que você e suas asas derretam trazendo você de volta pra mim. Quem sabe você também não tenha beijado outras bocas procurando a minha, quem sabe não tenha olhado o celular procurando minha mensagem. Quem sabe eu ainda seja o seu último pensamento antes de dormir. Quem sabe você também esteja por aí forçando sorrisos e fingindo estar bem. Quem sabe. Só sei que preciso continuar fingindo e torcendo para que em algum momento isso vire realidade e eu finalmente possa voltar a sorrir sem esconder camadas e camadas de tristeza por trás desse sorriso fingido que esboço por aí.

21 anos, garota do interior, puxa bem de leve o ‘R’ na hora de falar. Viciada em café recém passado, seriemaníaca de carteirinha, apaixonada pelo céu, pelo Sol, por cachorros e pelo Dan, é claro. E escreve também no “O mundo da Lari”.

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