QUERO ME ESCONDER OU QUERO ME ACHAR?

De um tempo para cá venho fugindo de mim numa tentativa inútil de me encontrar em algum lugar. Quero me esconder ou quero me achar? A casa está toda bagunçada do lado de dentro e fecho os olhos, pensando só no silêncio, para não ter que parar e pôr o sentimento no seu devido lugar. É bem verdade que eu mal me reconheço. É bem verdade que eu ando miúda. É bem verdade que a chuva não larga meu olhar. É bem verdade que, vezenquando, transbordo. São tantas verdades que escondo debaixo do tapete, torcendo os dedos para que ninguém me encontre — aos trapos — por aí.

Mas aí tem você, que finge não ver meus cacos debaixo do tapete da sala, que finge não perceber as lágrimas que brilham nos meus olhos e que vê (e como vê!) meus ombros caídos e desanimados, me arrastando para a vida que não é mais minha. E você me sorri com teus olhinhos pequeno e me chama com teu sotaque bom, sempre cheio de cautela e armaduras. É, eu sei que não ando medindo as palavras, seu moço, mas já estou consideravelmente melhor do que estava. Todas as vezes que te machuquei, foram sem querer. E todas as vezes que te machuquei, você sorriu esmigalhado, passando teu abraço superprotetor sobre meus ombros e me sussurrando qualquer palavra bonita ou qualquer verdade dolorida.

Eu te amo além do imaginável, moço. Cada pedacinho teu. E reconheço teu esforço sem medidas para me fazer feliz, e reconheço que preciso me esforçar um tanto mais para te fazer feliz e isso é tudo que quero dessa vida: nossa felicidade mútua, ninguém sendo mais, ninguém sendo menos. E te agradeço por cada palavra de conforto, por cada beijo que você dá na minha testa quando estou dormindo, por cada abraço quente no meio das noites frias, por cada incentivo de correr atrás dos meus sonhos enquanto você “segura as pontas”. É bonito de ver como teu olho brilha de orgulho e esperança quando você fala dos meus sonhos, como se eles fossem tão teus quanto meus e, de fato, talvez até sejam.

Eu te agradeço e te reconheço, moço, como o meu melhor de mim. Agradeço por remar comigo enquanto o barco tá furado, agradeço por cobrar que eu reme quando desisto, agradeço por me fazer enxergar além da redoma. E que assim seja, e que seja melhor, e que seja eterno e que fique para muito além dessa nossa eternidade.

Engenheira, blogueira, escritora e romântica incorrigível. É geminiana, exagerada e curiosa. Sonha em abraçar o mundo e se espalhar por aí. Vive com a cabeça nas nuvens. É, definitivamente uma colecionadora de amores platônicos e saudades. Nasceu e cresceu no litoral catarinense, não nega a paixão pela praia, pelo sol (e pelo frio) e frutos do mar.

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