Fugir sempre me pareceu a melhor saída. Escapar de qualquer sentimento incômodo, até que sumisse de vista, me isentava da obrigação de encarar o que fosse. Era como viver em um mundo construído apenas nos meus sonhos.

Tudo mudou quando esse mundo desmoronou sob um abismo. Pior do que a incerteza de mergulhar no desconhecido, é a dor de confrontar a realidade. Ironia sem destino, ou enigma da vida, me deparei lá no fundo com todos os silêncios e palavras adiadas. Aquilo que desviei por toda vida.

Nessa queda, descobri que furar o bloqueio e abandonar as ilusões que criamos é um caminho tortuoso, mas também pode ser surpreendente. É como acender uma luz para enxergar a própria existência. É como encontrar uma saída no infinito labirinto do mundo.

Viver é melhor que sonhar, já diria Elis Regina. Mas para viver plenamente é preciso desapegar das crenças que limitam nossos pensamentos. O primeiro passo para confrontar a realidade é sentir, sentir de verdade. Buscar um novo sentido para continuar, sem julgamentos ou interpretações unilaterais. Sem preconceito.

Demorar para encarar a realidade é tão improdutivo quanto evitar o destino. Você pode dar um novo sentido para a vida permitindo-se sentir. Como diz a canção de Alice Ruiz, tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva.

Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além.
-Paulo Leminski | Leia outros textos em: https://medium.com/@Jessicalaz

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