Fácil seria apontar para você e dizer que você não fez diferença alguma na minha vida. Difícil é reconhecer as coisas boas que você ocasionou – mesmo sem intenção. Você me fez refletir muito com uma das suas indiretas. “Você serviu de inspiração e só”, como dizia aquela música do Primeiramente…

Talvez… Talvez eu tenha servido só de inspiração mesmo, mas você? Ah. Você não!

Não limitei nossa história a me oferecer somente uma vantagem após o final, compreende? Precisei tirar todo o proveito que eu enxergava nela. Precisei amadurecer e descobrir mais do que eu queria ver. Quando não descortinamos nossos olhos para além do que desejamos, perdemos todo encanto e beleza do que se pode ter mais a frente. Ficamos céticos por achar que sabemos o que precisamos, quando na verdade há muito mais que nem imaginamos.

De fato você foi minha inspiração. Foi a inspiração dos meus textos por um longo período de tempo, foi a inspiração das minhas cantorias de músicas melosas durante uma ducha quente e aconchegante, foi a inspiração dos meus sonhos mais apaixonados me livrando de terríveis pesadelos… Você foi a inspiração dos meus brigadeiros gourmets de panela em dias de chuva. Você foi a inspiração da minha ansiedade ao montar a minha árvore de Natal. Você foi inspiração para os meus joelhos se curvarem todas as noites antes de dormir e foi a inspiração das minhas orações.

Mas você também me inspirou a não permitir que nosso amor desengonçado me tornasse quem eu mais repudiava. Você foi a inspiração para que eu aprendesse a me amar a cima de qualquer pessoa. Você foi a inspiração por eu ser mais exigente e criteriosa sobre quem eu vou permitir entrar na minha vida. Você foi a inspiração para que eu enxergasse que posso receber muito mais do que oferecem e que não sou obrigada a aceitar tão pouco. Você, também, foi a inspiração para que eu aprendesse que não manter alguém na minha vida se ela não estiver me fazendo bem.

Você foi a inspiração para que eu compreendesse que o amor é maior. Para que eu procurasse um amor completo, companheiro, verdadeiro. Um amor que vive e não morre. Um amor que persiste e não desiste. Um amor que enfrenta e não foge. Um amor que segura e não afrouxa. Um amor que se doa e não fica a espera. Um amor que acontece e não que enrola.

Me inspirou a ir atrás de perder a vergonha e lutar pelo meu sonho. Perder a insegurança e apostar em mim mesma. Você foi a inspiração para que eu me mantivesse firme e forte mesmo sabendo que já não mais escutaria de você um: “tu é guerreira”, “tu é forte”, “te admiro pelo que tu passou”. Tu foi a inspiração dos meus risos em dias de tempestades internas. Tu foi a inspiração para que eu perdesse a pose de adulta séria compromissada e vestisse a camisa da criança inocente de riso frouxo e sonhadora.

Tu foi a inspiração e nela poderia eu escolher se acrescentaria ou diminuiria. Poderia escolher se tu me faria amadurecer ou regredir. Poderia escolher se eu me tornaria quem não sou ou uma versão melhorada de mim mesma. Poderia escolher se tornaria meu coração um gelo ou deixaria ele mais florido para uma outra borboleta pousar. Eu poderia escolher viver em dias de raios e chuva ou em dias de sol e pássaros. E eu escolhi que você seria inspiração para o amor e não para o rancor. Você foi inspiração, sim, mas não foi a motivação.

Catarinense, escorpiana fervorosa, intensidade e impulsividade são seu sobrenome. Já passou por bons bocados e escreve para poder ser a conselheira quando o coração tá doído e sem coragem de pedir ajuda, acredita no poder que as palavras têm. Vive em uma constante evolução espiritual e emocional. Você sabe o seu nome, mas nem imagina sua história, você lê suas palavras, mas é impossível saber o peso que elas têm para ela. E quando precisar soltar o que o coração grita: danieledenez@gmail.com

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *