Ela tinha um encanto soberbo, mas era inteligível, pois era único, tão peculiar, daqueles que te envolve de um jeito sem igual e acontece uma vez na vida.

Ela estava longe da perfeição, mas até cada defeito dela me levava a crer que ela era do jeito que eu sempre quis. Ela era louca, mas me deixava cada dia mais louco por ela; e aquele sorriso, ah, me tirava a alma. Ela ria com tanta leveza que nem parecia que podia me encher de tapas no auge da sua fúria.

Cada vez que eu colocava meus olhos nela meu coração se apaixonava mais uma vez, e quando ela me abraçava, tão pequena, eu sentia que podia lhe dar o mundo. Eu podia ficar com raiva, mas que não passasse de um dia, era só lembrar daquele jeito indecente de me olhar com os olhos cheios de lágrimas ou aquela boca tão delicada implorando tacitamente por lhe tomar em meus braços.

Ela causava uma alegria imensa pro meu coração, só pela sua companhia. Seus cabelos espalhados no meu ombro enquanto ela descansava,  já compensava todos os desentendimentos do dia. Suas mãos tão delicadas, seu carinho era tão suave que eu ainda consigo sentir na pele se fechar os olhos. Podia conversar com ela horas a fio, ela conseguia falar de tudo, mesmo que nem soubesse nada sobre o assunto.

Se era orgulhosa? Nossa! Mas eu admirava sua confiança, e também entendia suas fraquezas, sei que tinha muitas, mesmo que tentasse maquiar, assim como seus medos; porém eu lhe dava minha compaixão e fingia que não os via, porque pra mim, ver ela orgulhosa e feliz era o que importava, muito mais do que lhe apontar seus defeitos, ver ela feliz era o que também me fazia feliz.

Era um amor, um encanto, uma loucura tão pura, era minha paz mas era também toda minha inquietude, era o que eu queria viver todos os dias antes de fechar os olhos, era ela que eu queria ver todas manhãs, sendo da maneira louca ou doce que ela tanto pode ser, mas era só ela, do jeito dela, e mais ninguém.

Não era um amor sereno, mas me fazia sentir vivo, era um furacão de emoções. Um furacão impiedoso que deixou o quarto, a casa e meu coração todo bagunçado.

Eu nunca deveria ter deixado ela partir. E hoje, sentindo tanto sua falta, consigo ver, que não importava se era soberbo, era só do seu encanto que eu sentia falta, era disso que eu precisava. Era daquele riso dela, dos tapas dela, da imperfeição que me era tão perfeita, daquele amor maluco e gostoso, que não me dava paz mas me tirava o fôlego todos os dias.

Advogada com alma de bailarina; uma sonhadora inconstante, meio cômica e distraída. Se perde em meio a tantos pensamentos esparsos, por isso tenta traduzir em palavras toda bagunça do seu coração incansável; na esperança de guiar e entender a loucura cotidiana de seus passos. Dona da página e do insta @escritascomcafe.

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