Nunca fui uma pessoa muito fácil de entender. Tenho meus problemas existenciais e sentimentais. Choro com propaganda de margarina e aquela cena do final da novela me faz suspirar durante os próximos três meses. Compro livros pela capa e os escolhidos são sempre aqueles nos quais existe um casal feliz (ou quase) de frente. Choro no final de cada um e depois escrevo sobre como queria que minha vida chegasse pelo menos na metade da história daquele exemplar barato que comprei na praça.

Vivo a mercê de um diálogo interrompido na metade, do primeiro beijo fracassado por um imprevisto qualquer e daquela parte boa do filme que sempre fica para depois dos comerciais e eu acabo dormindo. Sou feita de dias incessantes, de tarefas mal feitas e de sonhos que esperam a todo custo serem realizados. Entrego-me a madrugadas em claro e textos sinceros. Fotos de viagens salvas, poemas de amor e destinos nos quais nunca chegarei nem perto, afinal, a esquina ultimamente se tornou longe para mim. Sou composta por um ‘’deixa pra mais tarde’’ que nunca chega, por um ‘’está tudo bem’’ que nunca melhora de fato. Mas a verdade é que no final de tudo eu sou feita por todas as coisas que amo e que me cercam. Sou desejo, sou amor, sou o sonhar, o querer e a vontade incontrolável de poder realizar.

Toda noite sento em frente ao computador e me deixo levar para outro mundo, onde ninguém possa me achar e principalmente que nem eu mesma me encontre. Sou consumida por palavras e frases mal terminadas. Devorada pela luz da tela que clareia minha alma como ninguém nunca foi capaz de clarear. Entrego-me para o desconhecido e esbanjo pelos dedos o mundo que sonho quando consigo dormir e aquele que penso quando a insônia invade. Deixo sair de mim uma versão jamais imaginada, que nem mesmo eu em um estado normal sou capaz de crer e surpreendo-me com o tanto de coisas bonitas que podem sair de uma mente que durante o dia só pensa na obscuridade da vida.

Agora mesmo são 3h00 da manhã e eu preciso acordar daqui a pouco para mais uma vez repetir a rotina do dia a dia. Estou escrevendo isso e pensando em como vou levantar e responder as perguntas do tipo ‘’dormiu bem?’’. Nunca sei se digo a verdade ou apenas aceno e falo que estou com um pouco de dor de cabeça e que nos falamos mais tarde. Na verdade é obvio que sempre escolho a segunda opção, pois é muito mais fácil dizer que você está bem do que explicar e detalhar todos os motivos pelos quais não conseguiu pregar os olhos na última semana. É, foi e sempre será melhor guardar em si e para si tudo aquilo que só pertence a você. Talvez um dia chegue alguém com quem valia a pena desabafar e que te mostre a verdadeira razão pela qual devemos enxergar a vida de outro ângulo e nos mínimos detalhes nos faça ser de fato, uma pessoa diferente.

Mas até lá eu sento aqui e escrevo. Saio na rua, vejo cenas aleatórias, volto aqui e escrevo. Deito na cama, espero o dia começar a clarear e escrevo. Uma hora dessas as histórias saem do papel e o meu conto de fadas terminará à 00h00, antes do efeito madrugada chegar e no tempo exato de alguém vir me salvar.

Mais uma adolescente vagando pelo mundo com o desejo de tocar o coração de alguém com palavras simples, fortes e verdadeiras.
Apaixonada por café e leitura, sigo o meu caminho escrevendo minha própria história, ou a sua, ou a de qualquer pessoa que me faça sentir!

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