Hoje eu sonhei contigo. Estavas tão lindo e com o cabelo meio jogado para o lado, mas também com aquele bom e velho toque arrepiado que tanto amo. Esbanjando uma roupa comum e um semblante não tão tradicional, teu jeito era estranho e nem por um segundo consegui me lembrar de já ter te visto daquele estado. Com o maxilar reprimido e os olhos inchados, chegaste mais perto de mim e pegaste na minha mão de uma forma que jamais tinhas feito e aqueles segundos até sua fala sair completamente pareceram horas de um sono tão profundo que se aproximava da realidade de uma forma assustadora, terrível e estava cada vez mais difícil acreditar que aquilo não era de fato uma realidade cruel.

Depois de já ter desejado acordar pelo menos umas mil vezes, tu falaste… Disse que nosso relacionamento não estava aprazível e que há tempos queria me dizer tudo que sentia. Largou meus dedos trêmulos ao lado do meu corpo com cuidado e se distanciou, mas sem nunca parar de falar. A cada passo para trás sua agressividade aumentava. Parecia um escudo. Por um momento cheguei a pensar que não querias me ver chorar e por isso falavas de longe, mas a amargura em sua voz era tanta que cheguei à conclusão de que na verdade não precisavas mesmo era que eu te abraçasse e pedisse desesperadamente para que ficasses, pois admito que só a distância para me impedir de fazer isso, e também o fato de que meus pés tinham esquecido como sair do chão para que de alguma forma fossem capazes de te alcançar.

Sonhei com você e foi uma das piores coisas que já passei na vida. No momento eu não sabia se era de fato um sonho e parecia que havia perdido meu próprio chão. Meu coração acelerou e todas as vezes que tu repetias que não me amavas mais, era como uma faca sendo cravada no meu peito da forma mais cruel e covarde possível. Ao enxergar teu rosto e te flagrar desviando o olhar, era como uma parte minha indo embora e eu queria acabar com aquele sentimento, com aquele vazio que já estava presente em mim mesmo antes de ires de fato. Minha cabeça girava em torno da imagem das suas malas feitas em um canto da sala e eu imaginava: para onde vai? Quem te cuidará? Ou o pior, em que cama dormirá? Parece que o fato de te perder não entrava na minha mente e te imaginar com outro alguém me fazia surtar. Lembro-me que várias vezes cheguei ao ponto de atirar-me no chão tentando agarrar os teus pés em uma tentativa desesperada de te fazer permanecer, mas novamente as tuas palavras feriram e me jogaram para longe em um ato automático de pura proteção.

Tornando-se um dos momentos mais felizes da minha vida finalmente o celular fez o favor de despertar e em um sobressalto eu levantei e mal pude acreditar em como meu coração pulsava descontroladamente e veloz. Ao ficar um tempo encarando um ponto fixo na parede e tentando absorver todo o acontecido, olhei para o lado e de uma forma mágica tu estavas lá, dormindo, com o edredom tampando metade do rosto e como sempre jogando o braço para fora da cama. Tendo cuidado para não te acordar, destampei o pedaço que precisava para enxergar sua face por completo e perguntei-me por que nunca havia te admirado dormir antes. Foi tão bom despertar e te ver ali que desliguei seu próprio celular e deixei que não fosses trabalhar. Prossegui ao seu lado até te ver abrindo os olhos lentamente e prometi a mim mesma que nem todos os meus sonhos se tornariam realidade, que tu ficarias junto a mim para sempre e que todas as noites antes de dormir eu agradeceria por ter tido a chance de acordar mais um dia ao teu lado.

Mais uma adolescente vagando pelo mundo com o desejo de tocar o coração de alguém com palavras simples, fortes e verdadeiras.
Apaixonada por café e leitura, sigo o meu caminho escrevendo minha própria história, ou a sua, ou a de qualquer pessoa que me faça sentir!

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