Há dias que me fazem pensar quais as razões que levam, nós humanos a sermos tão insensíveis, porque como Drummond disse uma vez a sensibilidade é que torna a vida mais suportável. Só que a todo custo queremos nos tornar o menos humano possível, parece um jogo, ganha quem demonstra menos, quem se preocupa menos. Nossos sentimentos precisam ser “minimizados”, querem que fiquem tão pequenos a ponto de serem somente miniaturas que nos enfeitam.

Creio que você já se indagou pelo menos uma vez se realmente vale à pena externar o que está no âmago dos seus sentidos. Por mais que, aparentemente, não seja uma “boa escolha” é necessário para você enxergar que a maré de irresponsabilidade afetiva já possui um grande volume de pessoas e remar contra ela será um caminho complicado, porém, mais recompensador. No meio desse percurso todos os outros que consideram essa alternativa utópica irão fingir que existem coisas mais importantes que demonstrar afeto. Mas, é um ato revolucionário dizer que a principal atividade que podemos realizar é saber sentir. Não existe nada mais importante que isso. Além de ser nossa principal prática é, também, a primeira, porque sentimos desde que chegamos à vida. Não podemos fazer com que isso se evapore.

E outra, para o ser humano sistematizar as coisas torna tudo algo mais simples. A todo custo queremos está no controle do que nos cerca. Quantificamos os dias, temos 24 horas para corrermos contra o tempo. Prendemos o tempo em doze meses e três ponteiros, pois dessa forma, parece que fica mais fácil quando metodizamos os espaços que sobram entre as horas e os minutos. Mas, não podemos medir em números o que sentimos, nem devemos, e, mesmo assim “os adultos gostam de números” como o Pequeno Príncipe explicou, e estamos buscando sempre rotular nossas emoções. Mas por que querem substituir nossa sensibilidade por coisas mensuráveis?

No filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, mostra os melhores lugares que nossa sensibilidade pode nos levar. Podemos encontrar o amor, podemos sentir os pequenos prazeres da vida, podemos ser mais gentis. É um dos filmes mais sensíveis que conheço! Por isso se você deseja estimular mais sua sensibilidade, fica a dica para assistir esse fim de semana!

Parece ser mais fácil ter a direção de cada sentido, porque é bem mais prático colocar tudo em caixinhas e rotular por “coisas que são essenciais” e “coisas que não merecem nossa atenção” e quase sempre colocamos nossos sentimentos no interior da caixa que não tem muita importância, infelizmente. Acabamos esquecendo que “o essencial é invisível aos olhos”. Eu prefiro ser uma passageira nesse trajeto. Assumir a direção da minha sensibilidade não seria uma boa escolha, eu acabaria fazendo uma confusão no trânsito, por isso prefiro ser conduzida, o roteiro é bem mais prazeroso. Além do mais, observar a paisagem é bem mais singular do que ter que prestar atenção na sinalização do tráfego, não acha?!

Assim como minha melhor amiga, Anne Frank, que conheci em outra existência, me ensinou que mesmo sendo uma garota judia ao meio de uma Guerra ainda é preciso acreditar na raça humana. E eu acredito. Porque Anne sacudiu meu egoísmo e a sua sensibilidade transcendeu o tempo e foi capaz de me tocar. Ela ainda disse que “é mais fácil murmurar os sentimentos do que dizê-los em voz alta”, por isso é necessário gritá-los, para que ninguém fique com dúvidas que um dos processos mais encantador da nossa existência é sentir.

A sensibilidade vai sempre tornar a vida mais suportável, basta apenas parar de querer mensurá-la. Passar a guardar todos os nossos sentimentos em um local que precisa da nossa maior importância. Isso vai nos tornar maiores e nos levar além.

Ela tem o riso frouxo. Apaixonada pela delicadeza das coisas simples, por livros, pela a arte, flores, pizza e café com leite. Encontrou na escrita a melhor forma de expressar sua sensibilidade. Descobriu que a beleza não mora nos espelhos, da mesma forma como a arte não mora nas molduras. Ama pessoas que gostam de conversar e procura sempre a poesia que vive dentro de cada ser.

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